ANTÓNIO EUGÉNIO

O grupo empresarial português Lena vai investir em Angola nos próximos três anos mais de USD 300 milhões no ramo da construção civil e promoção de projectos imobiliários. A informação foi avançada ao JE pelo seu director geral em Angola, Afonso Queiroz.

Segundo ele, a empresa pretende também continuar a implementar projectos no ramo dos transportes, como o aluguer, gestão de frotas de automóveis, através da sua sub-holding TEC, assim como no negócio da comunicação por intermédio da sub-holding Nova Imagem.

Em Luanda, o grupo português investiu USD 45 milhões para a construção do edifício Moncada Prestige, de 10 andares, localizado na Baixa, cuja execução está sob alçada da Abrantina, empresa ligada ao grupo. A obra tem o seu término previsto para Setembro.

O empreendimento ocupa uma área de construção de 16.183 metros quadrados, da qual 6.474 se destinam à habitação, 3.945 para escritórios e 62,3 para pequenos comércios.

O edifício reúne também um espaço de 5.700 metros quadrados de cave, onde está a ser construído o parque de estacionamento com capacidade para cerca de 100 viaturas.

Apartamentos

Os apartamentos serão para escritórios e habitações do tipo T2 a T4, destinados à venda e ao aluguer. As áreas de habitação variam de 100 a 300 metros quadrados. O preço de cada apartamento T2 oscila entre USD 700 e 800 mil; os T3 custam USD 1.1 milhão, e os T4 custam USD 1.9 milhão.

Nos escritórios, o preço por metro quadrado está estimado entre USD 6.500 e 7.000. Estes preços poderão sofrer um aumento depois de Maio, período em que há escassez na oferta de espaços, além da entrada no país de novas companhias que procuram mercados para investir.

Afonso Queiroz frisou que grande parte dos clientes é expatriado, entre empresas e alguns particulares. Aponta este como o factor que permitiu a venda de metade dos apartamentos ainda em construção.

Uma das características citadas pelo gestor tem a ver com a existência de uma bateria de quatro elevadores em todos os andares, além de três colunas de escadas, todas com ventilação mecânica.

Os enfeites serão em grés, com superfície revestida a lâminas de alumínio lacadas anodizadas na cor cinzenta, com vidro duplo. O objectivo é garantir a protecção do sol. As portas terão acesso ao interior em madeira envernizada.

A comercialização dos apartamentos será feita a partir deste ano pela empresa Abacus Savills, que assinou recentemente um contrato com a promotora Lena Imobiliária Angola.

Qualidade do imóvel

O responsável anunciou que o grupo vai, ainda este ano, erguer na Baixa de Luanda, três outros edifícios com 25 andares, denominado Kanyangulo, que vão ocupar um espaço de 26 mil metros quadrados, também com escritórios e apartamentos para aluguer e venda. As obras devem durar três anos.

“A qualidade de cada novo edifício em construção constitui a principal preocupação da nossa promotora, pois apostamos no design, nas inovações, e na aplicação de novas tecnologias para atracção de clientes”, disse.

Neste momento, estão em curso contactos com empresários que pretendam investir em Angola, para começar desta forma a ter clientes fiéis.

Os apartamentos em construção serão do tipo T2, T3, T4, com as suas respectivas áreas de lazer, parque de estacionamento com capacidade para cerca de 100 viaturas, além de uma segurança electrónica para os moradores.

A empresa também está a prevenir eventuais situações de falha de energia eléctrica da rede. Para isso, será montado um grupo gerador com alta capacidade para suportar a carga dos três edifícios.

Expansão

Este ano, o grupo Lena pretende alargar os seus negócios para as províncias de Benguela, Huambo e Zaire (Soyo), onde pretende investir na área imobiliária.

Segundo o empresário, o grupo já construiu, durante o ano passado, um hotel na província de Malanje.

“Todos os projectos do grupo empresarial Lena em Angola geraram emprego para mais de três centenas de angolanos”, lembra.

Outra pretensão da imobiliária é a de transferir tecnologia para começar a reduzir a mão-de-obra expatriada.

Contudo, o gestor explica que este processo terá apenas implementação se eventualmente existir uma formação e especialização dos angolanos no ramo.

Em relação à concorrência entre as imobiliárias, disse que ainda é fraca, mas tornou-se competitiva no ano passado com o surgimento de novos actores no segmento de negócio.

Ele justifica o alto custo da habitação em Angola como sendo resultado da exiguidade do material de construção no país, assim como a existência de outros factores intervenientes no processo de construção.

“O material está caro. Quase todo é obtido no exterior do país e, enquanto continuar assim, sem material de base fabricado no país, o preço das casas será sempre alto”, afirma.

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