PEDRO PETERSON

A entrada de viaturas ao país sofreu uma ligeira quebra entre os meses de Abril a Junho deste ano. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a crise económica e financeira esteve na base do desaceleramento do volume das importações, quer de automóveis, quer de outros materiais de transporte.

Neste período, o movimento comercial de carros para Angola foi de 27.854, contra 27.738 relativos aos meses de Janeiro a Março, correspondendo um défice de 116 veículos. Enquanto para o primeiro trimestre o número de viaturas representou em termos de custo de aquisição o valor de USD um bilião 649 milhões e 409 mil, nos três meses seguintes a cifra rondou os USD 815 milhões e 500 mil.

Ainda de acordo com o boletim trimestral do Instituto Nacional de Estatística (INE), durante o segundo trimestre de 2009, os veículos automóveis e outros materiais de transporte ficaram em terceiro lugar, com uma percentagem de 18,5 no volume das importações, atrás das máquinas e outros aparelhos (27,53%), quando haviam ocupado a primeira posição durante o primeiro trimestre.

A situação é justificada devido à redução dos fluxos monetários para o estrangeiro, em função da contenção das divisas de peso (dólar e Euro) por parte do Banco Nacional de Angola (BNA) e dos bancos comerciais, o que fez com que os operadores económicos ficassem privados de realizar grandes transacções comerciais

Apesar de a crise se ter agudizado em finais de 2008, o país só começou a sentir praticamente os seus efeitos em meados de 2009. Mesmo assim, no segundo semestre deste ano, houve um aumento de 25,1% no volume das importações de veículos e outros materiais de transportes, comparado com o mesmo período do ano anterior.

Ainda em relação ao segundo trimestre de 2008, as importações caíram 55 por cento. Mas, em relação ao primeiro trimestre de 2009, verificou-se um ascendente na ordem dos 60 por cento.

Aumento das importações

Segundo as previsões do Instituto Nacional de Estatística, o volume das importações, neste seguimento do mercado, poderá registar um aumento significativo em função da liberalização do dólar e de outras moedas de peso por parte do BNA e dos bancos comerciais.

Refere ainda que as importações de veículos automóveis e outros materiais de transporte tiveram origens diversas, mas o destaque recaiu para países como a Holanda, Emiratos Árabes Unidos, Bélgica e França.

No primeiro trimestre de 2009, a maior parte das importações de veículos teve a chancela da Holanda, representando 9,2 % do valor total das importações, seguindo-se-lhe o Emiratos Árabe Unidos com uma percentagem de 8,9, os Estados Unidos com 5% e com o mesmo número a África do Sul.

Já no segundo trimestre do mesmo ano, a Bélgica destacou-se como maior fornecedor de automóveis e outro material de transporte, com uma percentagem de 11,5, vindo depois a França com 9,7% do valor total das importações, o Japão e Reino Unido ambos com 4 por cento.

Mercado de automóveis resiste à crise económica e financeira

Tal como aconteceu com os vários segmentos da economia nacional, a crise económica e financeira afectou também o mercado de automóveis no país, mas, ainda assim, algumas concessionárias de marcas não sentiram de forma muito pesada o impacto da turbulência.

Este é o caso das Organizações Cosal, representante em Angola do fabricante sul-coreano Hyundai. Esta empresa, a segunda maior no ranging de importadores de automóveis em Angola, depois da Toyota e antes da Vauco, a título de exemplo, nos nove primeiros meses deste ano, chegou a superar o volume de vendas efectuadas em idêntico período de 2008.

Segundo dados estatísticos fornecidos pela direcção comercial das Organizações Cosal, a empresa vendeu, entre Janeiro e Setembro deste ano, 4.333 veículos, contra 3.575 em igual período de 2008. o que representa um crescimento de 82,5%, e uma média de 481,4 unidades vendidas por mês.

Modelos mais vendidos

Entre os maiores contribuintes para este sucesso da Hyundai, está o modelo i10, construído na Europa e disponível nas versões 1.1GLS, de quatro portas, que vendeu 1.123 unidades. As vendas do i10 cresceram cerca de 33% em relação ao ano passado.

Seguem-se os modelos Tucson (764 unidades), Getz (745), o Santa Fé (591) e o Vera Cruz (360). Junho (com 696 viaturas vendidas), Julho (636), Fevereiro (532) e Agosto (499), foram os meses com maiores volumes de vendas. Enquanto isso, Janeiro (360) e Setembro (371), foram os períodos de menos vendas, representando uma redução de 51,7% e 53,3%, respectivamente, do total das vendas.

Os acessíveis preços das viaturas, que vão dos USD 12.000 aos USD 60.000, assim como o conforto, a estabilidade e a fácil reparação, são os motivos apontados pela concessionária para a eleição desta marca pelo público.

Principais clientes

Segundo apurou o Jornal de Economia e Finanças, apesar de a concessionária ter compradores diversos, os seus principais clientes são as Forças Armadas Angolanas (FAA), cujas compras representam cerca de 60% do volume, sendo que os seus modelos preferenciais são Tucson, Santa Fé e Vera Cruz.

As empresas públicas, privadas e os particulares têm maior preferência nos modelos i10, Getz e Matrix, por serem os mais baratos e práticos nas manobras dentro da cidade. Para os próximos anos, a Hyundai tem em carteira introduzir no mercado novos modelos, o que, seguramente, irá contribuir para o aumento de vendas.

Leia mais na edição impressa do Jornal de Economia & Finanças, já em circulação