ADÉRITO VELOSO

O sector da indústria cervejeira é um dos mais que mais crescem em Angola, sendo que, desde 1994, começou a ganhar o seu espaço, com o surgimento de algumas fábricas e a reabilitação de outras que haviam parcialmente paralisado a sua actividade fabril, devido à degradação do equipamento e à falta de matéria-prima, o que provocou uma baixa produtividade, e originou o recurso à importação massiva do mundialmente apreciado líquido dourado. Ciente do contributo deste segmento económico no Produto Interno Bruto (PIB), o Executivo angolano, em parceria com alguns investidores, apostou estrategicamente no relançamento da produção da cerveja nacional.

O grupo BGI, que agora reúne as marcas Cuca, Nocal e Eka, foi o principal impulsionador da indústria nacional, tendo, em 1994, firmado um contrato com o então Ministério da Indústria, para relançar a indústria cervejeira. Naquela época, a capacidade de produção instalada era de 180 mil hectolitros por ano. No ano de 2000, a produção saltou para um milhão de hectolitros.

Actualmente, o parque industrial cervejeiro nacional é composto por oito empresas (Cuca, Cobeje, Nocal, N’gola, Soba, Nocebo, Eka e a Cerbab), que se dedicam ao fabrico, distribuição e comercialização da cerveja, abastecendo o mercado anualmente com cerca de sete milhões de hectolitros (6.890.652 em 2009). A partir de então, e com o surgimento de vários investidores, o sector começou a ganhar outro dinamismo.

Cervejeiras

A marca Cuca BGI (em lata e garrafa) é a cerveja que lidera o mercado nacional. No ano passado, foram produzidos pela empresa 2.298.930 de hectolitros. Para atingir esta performance, a empresa investiu nos últimos cinco anos USD 182 milhões. Tem 1.600 trabalhadores.

Logo a seguir vem a Cobeje, que surgiu no mercado no ano passado, com um investimento de USD 170 milhões. Em 2009, a firma produziu 1.168.366 hectolitros de cerveja. A fábrica está sedeada na zona do Bom Jesus, província do Bengo, e conta com 480 trabalhadores.

Em Luanda, está também sedeada uma das marcas mais consumida no mercado nacional, a Nocal, que produziu no ano passado 1.356.298 de hectolitros, com um investimento de USD 107 milhões e 950 trabalhadores.

Na província da Huíla, está localizada a marca N’gola, que, durante 2009, produziu 629.244 hectolitros de cerveja, num investimento de USD 94.971.906. A marca huilana é produzida por 437 trabalhadores. Ainda no sul do país, e mais concretamente na província de Benguela, está instalada a cervejeira Soba, com uma produção de 542.826 hectolitros, num investimento de USD 59 milhões.

No Huambo está localizada a marca Nocebo, que surgiu no mercado nacional no ano passado, com uma produção de 67.607 hectolitros, num investimento de USD 54 milhões. Na comuna do Dondo (Kwanza-Norte), está sedeada a fábrica da Eka, uma das incontornáveis do mercado cervejeiro nacional, com uma produção de 645.603 hectolitros, num investimento de USD 60 milhões.

Na província de Cabinda, está sedeada a marca Cerbab (fábrica do grupo Cuca BGI). A marca surgiu no mercado cabindense em 2009, com um investimento de USD 47 milhões e uma produção cervejeira de 248.150 hectolitros.

Dados oficiais do Ministério da Geologia e Minas e Indústria indicam que o parque cervejeiro do país movimentou anualmente nos últimos cinco anos um volume de investimento de USD 773.971.906, com uma mão-de-obra composta por 4.797 trabalhadores.

Investidores

Angola tem registado, nos últimos anos, um forte crescimento no consumo de cerveja, devido ao trabalho que as empresas do ramo (nacionais e estrangeiras) estão a desenvolver. Portugal continua a liderar o mercado de cervejas importadas, tendo como principal fornecedor o grupo Unicer, com as marcas Super Bock, Cristal, Carlsberg e Guinness. Em Angola, 30% das cervejas consumidas são importadas. Um total de 140 milhões de litros é de origem portuguesa (125 milhões são marcas da Unicer).

As inúmeras oportunidades que o mercado nacional proporciona têm motivado os investidores internacionais do sector cervejeiro a apostarem neste segmento cada vez mais atraente. É neste contexto que o grupo Unicer pretende arrancar, a partir deste ano, com a construção de uma fábrica de cerveja em Angola. A unidade fabril, que será instalada em Luanda, terá a capacidade de produzir 200 milhões de litros, num investimento de 81 milhões de euros, dividido em duas fases.

O projecto será participado pela Unicer (49%) e por três empresas angolanas, nomeadamente a Giasope, Emprominas e Imosil, ligadas à distribuição, com 17% cada. A Unicer é a empresa portuguesa que mais cerveja exporta para Angola, detendo uma quota de mercado de 90% (em volume) e de 95% (em valor) no total de cervejas nacionais que chegam ao mercado angolano.

O mercado nacional recebe anualmente cerca de 140 milhões de litros de cerveja de origem portuguesa, dos quais 125 milhões de litros são da Unicer, no conjunto das marcas Super Bock, Cristal e Carlsberg.

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