Os enormes investimentos na reabilitação e construção de estradas, linhas ferroviárias, portos e aeroportos estão a transformar as infra-estrututuras do país e a exercer um efeito positivo na produtividade.

Estes dados constam do último relatório económico do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN), referente a 2012, que foi lançado na última terça-feira.

O documento considera que o país tem aproveitado a sua prosperidade petrolífera, empréstimos de países como Portugal e Brasil, aliados às linhas de crédito chinesas para transformar as infra-estruturas.

O relatório considera igualmente que a construção das três linhas ferroviárias nomeadamente a de Luanda, Benguela e Moçâmedes ligando os principais portos que foram destruídas durante a guerra do país estimularam o crescimento de muitas cidades no interior do território nacional.

A avaliação do Ceic indica que a solução global da questão do transporte de pessoas e de mercadorias no contimente africano passa pela reabilitação do danificado sistema ferroviário, não de forma individual, mas num esquema que envolva o maior número possível de países.

O relatório revela ainda que em 2011, Pushak e Foster indicaram que a despesa pública em infra-estrutura foi de 4.3 mil milhões de dólares por ano e representava 14 por cento do produto interno bruto (PIB), sendo que 70 por cento do seu total são canalizados para o sector dos transportes.

“A estratégia de desenvolvimento de longo prazo de 2025 do Executivo continua a dar uma ênfase a grandes projectos e empréstimos para a construção de infra-estruturas”, assegura o estudo.

Aquele instrumento económico considera que o novo aeroporto internacional de Luanda, em construção a 40 km a Leste da capital vai concretizar o ambicioso plano do país de tornar-se numa placa área giratória regional, com quatro pistas e capacidade para 7 a 10 milhões de passageiros.

Além disso, de acordo com o balanço do Programa de Investimentos Públicos referente ao exercício de 2012 do Ministério dos Transportes, foram renovados os aeroportos do Soyo, Uíje, Dundo, Huambo, Luena, Menongue, Ndalatando, Catumbela, Kuito, Huambo, Luena, Menongue e Saurimo, entre outros.

Outros sectores
O relatório faz ainda a inclusão de um estudo sobre as transformações estruturais em Angola e na África subsahariana, para tentar compreender o que se passou, quais os países que mais rapidamente andaram, em termos de transformações estruturais, e os que cresceram menos, para deste modo se perceber quem foram os Estados africanos que mais depressa progrediram nas transformações estruturais e porque razão os objectivos do milénio estão atrasados.

Para o Ceic, a economia angolana pode estar a aproximar-se do “estado estacionário”, se a taxa de crescimento do PIB, entre 2013-2017, se mantiver entre os 5,5 por cento e os sete, conforme previsões do Fundo Monetário Internacional e do Governo, respectivamente.

Na apresentação do estudo, o coordenador do Ceic, o economista angolano Alves da Rocha, disse que foram feitas algumas comparações entre as taxas de crescimento do PIB, de crescimento da população e de amortização do capital fixo da economia, tendo-se chegado à conclusão que na falta de outros estímulos à economia nacional, o “estado estacionário de Solow” pode estar a aproximar-se da economia de Angola.

O Ceic trouxe também uma monografia da província do Huambo, já que o de 2011 incluía uma da província de Benguela.
A pretensão do Ceic é incluir em todos os relatórios económicos uma monografia sobre cada província de Angola até completar as 18 e reuni-las, eventualmente, num livro sobre a regionalização e ser brevemente publicado.