O investimento israelita para a implementação de vários projectos agro-pecuários em Angola e apoio técnico atingiu cerca de 700 milhões de dólares (15,1 mil milhões de kwanzas), com previsão de aumentar nos próximos anos, em função do incremento e a nova dinâmica imprimida na
parceria entre os dois países.
A informação foi avançada pelo secretário de Estado para a Agricultura e Pecuária, Carlos Alberto Jaime, durante a abertura do workshop que serviu para o lançamento do “Agritech Israel”, realizado na passada segunda-feira, em Luanda, que contou com a participação de especialistas
de Angola e Israel.
Os resultados deste investimento são notáveis com aplicação feita no projecto “Aldeia Nova”, na província do Cuanza Sul, além de outros projectos nas províncias de Malanje e Luanda.
A parceria vai potenciar os agricultores com tecnologias avançadas no sistema de rega e drenagem, aproveitamento com rigor dos solos, e
racionalização da água.
Para a consistência da parceria, empresários angolanos do ramo vão participar no mês de Maio deste ano em Telavive capital de Israel, numa feira agro-pecuária denominada “Agritech Israel” uma exposição de tecnologia agrícola internacional que tem uma periodicidade de três em três anos e reúne num mesmo local, fabricantes, pesquisadores, investidores e académicos.
O ministério pretende ampliar a investigação agrária e veterinária, por isso vai estabelecer uma parceria com a sua congénere.
A agricultura angolana representa um peso de 12 por cento do PIB, e emprega 30 por cento da população, e as exportações agro-alimentares
estão cotados em 20.

Israel dá conselhos
Por sua vez, o embaixador de Israel em Angola, Orem Rozenbla, alertou que o Executivo angolano peca pela sua dependência económica excessiva aos recursos petrolíferos, e realça a necessidade de se incentivar a produção agrária.
Angola pode atingir a auto-suficiência alimentar, segurança alimentar, por ter disponível recursos hídricos, solos aráveis e mão-de-obra.
“Angola pode ganhar muito com a cooperação israelita no ramo da agricultura, nós temos uma tecnologia muito avançada, por isso convidamos os agentes angolanos a visitar a nossa feira em Maio”.
No seu país a agricultura não é tanto de uma vantagem comparativa “natural”, mas de uma vantagem comparativa “induzida” baseada no processo de tecnologia e na inovação.
Tudo porque implementou uma tecnologia para tratar águas residuais, e salobra e reciclar para posteriormente, servir o sistema de rega.

Oportunidade
Filomena Oliveira, do Centro de Empresas de Angola (CEO), esteve no evento, tendo na ocasião defendido que a feira vai constituir uma oportunidade para os agentes agrícolas ganharem experiência com as novas tecnologias.
“Angola tem que deixar de importar salsa, alface, e outros alimentos que podem ser produzidos ao redor de Luanda, porque fora está em grandes quantidades e a se estragar”, disse.
A empresária destacou ainda que Angola precisa de uma maior promoção, formação, apoio e supervisão do sector cooperativo e associativo para que possam de forma solidária efectuar o levantamento das potencialidades, planificar e realizar projectos para a produção, transformação, transporte, comercialização e distribuição da produção agro-pecuária do campo. Com acesso ao crédito fácil, a fim de poder concorrer com os 2 a 4 por cento de juros que têm os concorrentes directos que exportam produtos agro-pecuários para Angola.
E apela que o agro-negócio faz-se com acesso a capital humano, tecnológico e financeiro. As oportunidades têm sido, dadas, e atribuídas a um grupo restrito de cidadãos aos quais têm sido atribuídos não só somas astronómicas e repetidas de valor monetário, oportunidades comerciais, empréstimos com juros bonificados, redução ou isenção de impostos por dez e mais anos, acesso a divisas e oportunidades de negócio, como de extensões absurdas de terrenos com resultados ainda por se conhecer, e raramente sustentáveis.
Defende que se deveriam investir pelo menos metade a dois terços desses mesmos valores, em milhares de pequenos projectos integrados que iriam permitir não só o retorno do investimento mais rápido, mas conferir muito mais emprego e rendimento sustentável, com percentagens de insucesso com pouco impacto no investimento total, contribuindo consequentemente para a produção de mais impostos através do aumento do rendimento.