A Itália propôs, nesta quarta, ao Governo angolano uma cooperação bilateral em forma de parceria com vantagem recíprocas, no lugar de doações, que até aqui sustentam as relações institucionais.

Aquele país europeu, que preside actualmente o G8 (grupo dos oito países mais ricos do mundo), considera que o volume actual de negócios com Angola, estimado em 500 milhões de dólares, é suficiente para substituir as doações por parcerias.

A Itália desenvolveu em Angola nos últimos quatro anos, sob a forma de doação, projectos de cooperação no valor de 50 milhões de dólares nas áreas de desminagem, saúde, abastecimento de água potável e formação profissional, no quadro da reconstrução nacional.

O embaixador italiano, Torquato Cardilli, considerou, nesta quarta, em Luanda, que “Angola conseguiu alcançar um índice de desenvolvimento superior a dois dígitos, transformou-se numa potência económica regional africana e mundial e dirige agora a Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo”.

O diplomata transalpino, que falava à imprensa no final de um encontro que manteve com o Presidente José Eduardo dos Santos, no Palácio Presidencial da Cidade Alta, disse que estas valências impulsionaram o Governo italiano a elaborar um projecto de cooperação comum, em que vê Angola como um parceiro e não como quem precisa de doação.

Relações directas

“Até aqui praticávamos com Angola uma política de doação, pelo facto deste país ter saído de uma longa guerra e, consequentemente, necessitar de reconstrução, por isso estivemos sempre com Angola. Agora é uma potência económica em África, por isso vamos desenvolver relações económicas directas”, disse Torquato Cardilli”.

As trocas comerciais entre os dois países nos últimos quatro anos saltaram de 150 milhões para 500 milhões de dólares. Os dois países cooperam no domínio dos petróleos, onde a Itália tem empresas petrolíferas a operar em Angola.

Em final de missão de quatro anos em Angola, o diplomata italiano considera, que “Angola agora tem que ter as suas próprias indústrias, não comprar produtos no exterior, mas produzir a partir do seu território para criar mão-de-obra e acabar com o desemprego”. Torquato Cardilli garante que, se Angola quiser obter resultados neste domínio na sua cooperação com a Itália, tem que enveredar para uma cooperação de parceria.

O diplomata anunciou a vinda a Angola, em Setembro de uma delegação de cerca de 80 empresários ligados ao sector da indústria para contactos e exploração do mercado nacional. O ministro da Indústria, Joaquim David, que esteve recentemente em Roma na semana de Angola, regressa àquele país para participar, no dia 25 de Junho, num encontro dos ministros da Indústria do grupo dos oito países mais ricos do mundo.

A escolha de Angola para participar neste evento, frisou o diplomata italiano, deveu-se à importância que o G8 dá a África, ao índice de desenvolvimento alcançado e ao facto de Angola presidir actualmente a OPEP.

O encontro com o Presidente da República, referiu, foi de cortesia e serviu para fazer um balanço positivo da cooperação entre os dois países, durante os quatro anos que esteve em Angola. Para além da cooperação institucional, Torquato Cardilli disse que houve, entre os dois países, relações económicas intensificadas.