O fomento da criação de gado e a melhoria da qualidade do rebanho em vários pontos do país, é um dos propósitos da realização, na cidade do Lubango, do leilão e feiras de amostras de animais.

A Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA), promotora do evento, concentra, no mês de Agosto de cada ano, dezenas de criadores de gado e aves provenientes de várias localidades, para o comércio animal e troca de experiências.

O leilão de gado decorre no âmbito das tradicionais festas da Nossa Senhora do Monte. Mas este ano, os ganadeiros viram a cooperativa realizar o acto, no último sábado, em saudação ao seu quinto aniversário.

Mais de 300 animais de alta qualidade obtidos a partir do cruzamento de diversas raças bovinas e cavalos de criadores da Huíla, Namibe e Cunene, foram expostos no complexo da feira agro-pecuária para venda em leilão.

Ao recinto criado para comércio de animais acorreram empresários pecuários de Luanda, Benguela, Namibe, Cunene, Huambo e da anfitriã Huíla e autoridades com realce para o governador da província, Isaac Maria dos Anjos.

Fernando Nelson, leiloeiro que substituiu o falecido Fernando Borges, animou o cenário apresentando o custo inicial de cada lote, geralmente composto por três, quatro ou mais cabeças, onde, por regra, entre os animais para criação consta um touro.

Os empresários começaram a interessar-se pelas propostas e houve despique até ao último que deu mais. Leiloou-se o primeiro lote, o segundo, terceiro e, dos 56 lotes apresentados, apenas cinco ou seis regressaram à procedência.

Compradores e assistentes, não resistem ao porte físico e qualidade do gado para criação e abate. São bois de raças sindra, ambaras, braman, zebú, busbower. A quantidade de touros vendidos atingiu os 50 e vacas 150, enquanto os animais para abate imediato rondou os 100.

A Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola arrecadou durante o leilão de animais mais de meio milhão de dólares, apenas num dia de actividade. Este resultado levou a organização a considerar como positivo o evento.

O director-geral da cooperativa, Álvaro Fernandes, disse que venderam 70 por cento do gado. “A boa presença de empresários coroou de êxito o evento que também serviu para trocar experiências”.

O fazendeiro José Alves, detentor de um efectivo bovino estimado em 1.200 cabeças, considerou o leilão de gado bovino, caprino e suíno, como “uma bela oportunidade dos criadores se encontrarem, trocar ideias, avaliar o desenvolvimento pecuário da região e do país”.

Estes eventos, ressaltou, incentivam outros a se tornarem-se criadores e a apostarem na pecuária. “Queremos aumentar o rebanho do país para haver capacidade de abastecer o mercado nacional”.

Luís Nunes reconduzido

A assembleia de balanço e renovação de mandatos realizada no Lubango, com presença satisfatória sócios da Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola, criada a 20 de Abril de 2005, reconduziu Luís da Fonseca Nunes no cargo de presidente.

Desde o surgimento da cooperativa, registou-se um aumento significativo do fomento animal e do gado de raça e de alta qualidade nas províncias da Huíla, Namibe e Cunene. Também contribuiu para a revitalização dos rebanhos do Huambo, Bié, Benguela, Kwanza-Sul e Uíje.

Antigos e novos criadores de gado do Norte e Centro do país juntam-se aos parceiros do Sul para compra de animais e análise do sector agro-pecuário. São também aliados aos fazendeiros e criadores de gado tradicional (gado gentio).

Estes encontros fortalecem as trocas comerciais, sobretudo de animais. Por exemplo, o leilão realizado em Agosto do ano passado rendeu à volta de um milhão e meio de dólares, um montante superior às edições anteriores.

A região Sul conta actualmente com um número considerável de fazendas antigas reabilitadas e o surgimento de novas. A aquisição de gado de raça contribuiu para melhorar a reprodução, através do cruzamento com animais locais.

O governo da província, empresários e organizações não governamentais estão empenhados em executar projectos que visam a melhoria da sanidade animal e a prevenção de doenças contagiosas.

A abertura de linhas de financiamento dos bancos comerciais para apoio ao sector agro-pecuário constituiu uma das apostas da cooperativa dos criadores, tendo permitido a materialização dos programas dos empreendedores da região.

Produção de carne

Um programa de apoio e apetrecho com meios técnicos as áreas de produção pecuária da região que é executado este ano, vai custar à Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola, 25 milhões de dólares.

O director-geral da cooperativa, Álvaro Fernandes, que revelou os dados à imprensa, disse que a acção se enquadra no programa de desenvolvimento agro-pecuário das províncias da Huíla, Namibe e Cunene.

De acordo com o director-geral da cooperativa, no âmbito do programa de actividades para o ano corrente, a Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola vai estabelecer novas parcerias com ganadeiros de outros pontos do país e além fronteiras para colher mais experiências que visam melhorar o processo de criação e produção de carne.

Para execução dos projectos, a cooperativa vai contar com financiamentos do Banco de Fomento Angola (BFA). Os valores a serem disponibilizados vão suportar os gastos da construção do matadouro industrial, talhos e outras estruturas.

Consta igualmente do programa o apoio técnico aos sócios, o surgimento de equipas móveis. “Vamos trabalhar com pessoal especializado no ramo da agro-pecuária e fazermos um atendimento directo aos fazendeiros”, disse.

Álvaro Fernandes disse que os resultados esperados têm a ver com o aumento do fornecimento de carne nos mercados do país e reduzir aos poucos a importação deste alimento.

Mercado nacional

A Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola tem capacidade para produzir carne e abastecer o mercado nacional, contribuindo para reduzir as importações, disse o secretário para a Informação do MPLA, Norberto dos Santos (Kwata Kanawa).

Norberto dos Santos que acompanhou o programa dos criadores de gado no Lubango, disse que o número de cabeças de gado dos criadores da região Sul garante capacidade de fornecer carne ao país.

Na opinião do secretário do MPLA para a Informação, a cooperativa tem condições de elevar os níveis de produção, com o apoio directo do Governo e dos bancos. “Agora temos de apostar na produção interna e em acções que possam dar outra dinâmica ao crescimento da economia do país”, disse.