O Banco Nacional de Angola negociou ontem, no leilão público de vendas de Obrigações do Tesouro, um montante de 42,4 mil milhões de kwanzas, o equivalente a 560 milhões de dólares.

O valor é doze vezes e meia o negociado na semana passada, quefoi de apenas 3,4 mil milhões de kwanzas. Ao longo do ano, o Governo prevê emitir até ao valor global em kwanzas, o equivalente a nove mil milhões de dólares.

No leilão de ontem, a procura recaiu para os títulos com prazos de validade (maturidade) de quatro anos, no valor de 24,4 mil milhões de kwanzas, e de três anos, com 18 mil milhões de kwanzas. As maturidades de um e dois anos não tiveram procura, segundo uma fonte do BNA.

As Obrigações de Tesouro são títulos da dívida pública de médio e longo prazo. Ao comprar os títulos, os cidadãos e as empresas têm mais um meio para rentabilizar as poupanças de forma segura e com taxas de juro superiores às praticadas no mercado.

Com um valor mínimo de dez mil kwanzas, o investidor pode aplicar o dinheiro em prazos que variam de um a quatro anos. No final da aplicação, recebe o valor investido e os juros que são contabilizados de seis em seis meses.

Embora as aplicações sejam de médio e longo prazo (de um a quatro anos), os cidadãos e empresas que não pretendam esperar pelo fim do prazo para obterem de volta o seu dinheiro, podem vender, a qualquer momento, as suas Obrigações do Tesouro no mercado secundário (os bancos comerciais). Nos depósitos a prazo, o depositante perde o direito aos juros caso interrompa a aplicação.

As Obrigações do Tesouro são emitidas em Kwanzas, mas indexadas ao dólar. Se na data em que o cidadão ou empresa comprar Obrigações do Tesouro o equivalente a mil dólares, na data em que o dinheiro lhe for devolvido recebe também em kwanzas os mil dólares mais os juros.

As Obrigações de Tesouro estão à disposição do público, nas instalações do BNA. Os interessados podem, ainda, ordenar ao seu banco comercial a aplicação do dinheiro em Obrigações do Tesouro. Uma pesquisa apresentada esta semana revela que uma aplicação em depósitos a prazo, por um ano, num banco comercial tem um rendimento de 3,83 por cento. A aplicação em Operações do Tesouro, para o mesmo período, garante um rendimento de 4,72 por cento. Em quatro anos, o rendimento em Obrigações do Tesouro chega aos 6,72 por cento. Numa conferência de imprensa realizada terça-feira, o ministro das Finanças, Severim de Morais, garantiu que quem aplicar o dinheiro nas Obrigações do Tesouro não tem de se preocupar com uma eventual depreciação da taxa de câmbio, já que, na altura da remuneração, recebe em moeda nacional ao câmbio do dia.