As obras do Instituto Médio Agrário do Moxico (IMAM) estão paralisadas há quatro anos por falta de liquidação de 40 por cento do orçamento, por parte do governo.
A construção da infra-estrutura, localizada a 25 quilómetros da vila fronteiriça do Luau, teve início em 2012, e até ao momento, as obras não terminam porque o governo não procedeu a última prestação, condicionadas por falta de dinheiro.
Em entrevista ao JE, o empreiteiro da obra, Jaime Co, disse que a primeira fase da empreitada já terminou em 2014, que se constituiu na construção de salas de aula, área administrativa, laboratórios, auditório, refeitório, campo multiuso, enfermaria, ginásio, dormitórios e um parque deestacionamento para dezenas de viaturas.
Jaime Co afirmou que, o governo pagou apenas 60 por cento do valor contratual e caso liquidar o montante em falta, pode entregar a obra ainda este ano.
“A infra-estrutura está erguida numa área de 16 hectares, e neste momento falta apenas de apetrechamento (equipamentos) para permitir que entre em funcionamento no próximo ano lectivo (2019)”, informou.
O Instituto Médio Agrário do Moxico tem a capacidade para albergar mais de mil estudantes em três períodos. Contará com 20 salas de aula e terá 200 estudantes em regime de internato vindos das 18 províncias.
O novo estabelecimento escolar, tem ainda seis blocos, dos quais três possuem um piso cada e grupo gerador.
Para aulas práticas, o Imam vai contar com campos agrícolas para aulas relacionadas para gestão de recursos florestais e produção vegetal.

Cidadãos apreensivos
O jovem Manuel Domingos, de 16 anos de idade, mostra-se esperançoso de que um dia, o Instituto Médio Agrário do seu município abra as “oficinas” para depois de formado possa, posteriormente dar o seu contributo para o desenvolvimento da província, em particular, e do país, no geral.
Já Laurinda Luando, 21, vive perto da futura escola agrária. Disse à reportagem do JE, que o tempo em que as obras estão paralisadas, seria o período em que deveria terminar a formação.
“Ainda assim, tenho esperança que num futuro breve, a escola pode abrir e nós os jovens possamos beneficiar da formação”, augura.

Munícipes apresentam
dificuldades ao governador

A falta de energia eléctrica e água potável em alguns bairros do Luau, carência de imputes agrícolas para o cultivo, oportunidade de emprego, a falta de medicamentos nos hospitais, mais escolas, habitação, são as questões que foram apresentadas durante os encontros com os munícipes.
O sector privado ainda não se faz sentir. Apenas os bancos comerciais como BCI, BIC e BPC e uma agência de telefonia móvel Unitel, estão presentes na região.
O município fronteiriço do Luau, tem uma extensão de 3.839 quilómetros quadrados, com mais de 31 mil habitantes. É uma região estratégica para a província do Moxico, pelo facto de possuir potencialidades económicas, como por exemplo, o aeroporto, a estação do Caminho-de-ferro de Benguela (CFB), que liga a República Democrática do Congo, porto seco bem como a fronteira que tem permitido as trocas comerciais entre os dois países.
Por outro lado, os munícipes reclamaram a falta de transparência da gestão da coisa pública, principalmente no sector da saúde e educação, uma situação que já existe há décadas.
A sede do município do Luau é uma vila calma e urbanizada. O tapete asfáltico e passeios estão organizados, o que facilita a circulação de pessoas e bens.

Governo local
trabalha para
o crescimento

O governador da província do Moxico, Manuel Gonçalves Muandumba, que trabalhou durante quatro dias no município fronteiriço do Luau, no âmbito do programa de auscultação, aproveitou o momento para constatar várias infra-estruturas da regia.
O gestor máximo da província reconheceu que o instituto agrário é um grande projecto, e que vai permitir a formação profissional de vário jovens na região e futuramente vai contribuir fortemente no sector agrícola no pais e não só.
Aproveitou a oportunidade para convidar os empresários zambianos a investirem na província do Moxico, sobretudo na área agrícola, visto que o país vizinho tem muito a transmitir neste ramo.
Falou também da possibilidades de no futuro, o instituto possa ter professores zambianos.
O governador da província do Moxico reconheceu os problemas que o município enfrenta, tendo garantido a criação de planos estratégicos para melhorar a situação dos munícipes.

Mais investimentos
A região precisa de investidores nacionais e estrangeiros para alavancar a economia.
O responsável reuniu com várias entidades sobretudo membros da administração local, entidades tradicionais, juventude e membros dos partidos políticos.
Durante vários encontros, os presentes apresentaram as suas inquietações, principalmente na vertente económica e financeira, da localidade bem como a necessidade da expansão dos serviços sociais à população.
Moxico é a maior província de Angola, com um grande potencial em recursos naturais e florestais.
LV