Cerca de quatro mil funcionários perderam o emprego desde o ano de 2018 até a presente data, em consequência do encerramento de 120 unidades industriais que operavam na província do Bié, nos ramos de exploração de inertes, recursos minerais e agricultura.
O alto custo de produção de bens causado pela escassez de matéria-prima e, principalmente, os gastos na obtenção de energia, que são realizadas com recursos a combustíveis para abastecimento de geradores tem sido um dos grandes problemas enfrentados pelos operadores económicos. Tais dificuldades impossibilitam os operadores a desenvolver com regularidade as suas actividades diárias, daí o surgimento de muitos funcionários, argumentou a directora do Gabinete do Comércio, Indústria e Recursos Minerais.
Ludmila Gomes sublinhou que o novo paradigma, que coloca o Estado na posição de regulador e coordenador das políticas a desenvolver, reduzindo a intervenção directa no sector económico a favor de vários agentes produtivos, motivou a paralisação de muitas empresas no mercado.

A directora disse que existe uma gritante falta de dinheiro, para cobertura da produção, como exemplo, citou a exploração de inertes e a indústria agrícola sectores cuja actividade requer suportes elevados de gastos de combustíveis e outros excedentes.
A directora realça que os agentes produtores no ramo industrial lamentam que o produto final das suas actividades, quando posto no mercado para a comercialização, está sempre abaixo dos investimentos, traduzindo em perdas astronómicas de recursos.
“Está difícil desenvolver a actividade industrial na província, por um factor conjuntural meramente económico, um quadro que se agudiza e já causou o desemprego a milhares de trabalhadores” sublinhou.
A responsável lamentou o efeito primário, causado pelo encerramento das unidades industriais, que recaem incondicionalmente aos trabalhadores com consequências na perda dos seus rendimentos.

Ludmila Gomes disse que, as direcções das empresas que encerraram as suas actividades económicas no Bié apontam o novo contexto como bastante adverso sem qualquer condição para um bom ambiente de negócio.
Segundo a responsável, decorrem a nível ministerial políticas que concorrem para a criação de condições que proporcionam aos agentes dos diversos ramos produtivos acções para obterem resultados positivos no seu investimento e que possam continuar a desenvolver suas actividades.