Nem o sol ardente lhe tira o sorriso. Maria Sofia está imparável a trançar mulheres no pequeno salão de beleza instalado no pátio do seu quintal no distrito do Benfica em Luanda.
Criou o pequeno negócio há mais de cinco anos, quando por causa da crise que se instalou perdeu o emprego. O momento facilitou-lhe criar outras soluções. A necessidade de sustentar os três filhos fala mais alto.
Para o arranque do pequeno empreendimento, investiu cerca de 100 mil kwanzas que serviram para comprar material de salão de beleza de ocasião. O foco da actividade está virada para as tranças.
Para sustentabilidade do negócio, contratou duas jovens que prestam dignamente o serviço a clientes que quiserem realçar a beleza. Chega em média a atender mais de três clientes.
Nos dias normais chega a facturar por aí 30 mil kwanzas, com um aumento no fim-de- semana, altura que a afluência sobe a procura do serviço de tranças.

Preço


As tranças denominadas “cordolete” cobra 10 mil kwanzas, o “quadradinho” 3 mil e 500, a “borrada” (dreodlockes) custa 5 mil kwanzas.
As “rastas com postiço crochet” custa 5 mil, enquanto que o “rasta original” o preço depende muito do tamanho, enquanto o “rasta nigeriano” (gold) 15 mil kwanzas. São várias as opções que oferecem para uma cabeça, desde o modelo clássico ao popular, que no essencial serve para manter a vaidade e a beleza.

Clientes
Helena Cândida é cliente assídua do salão. Considera que além da qualidade de trabalho, a casa oferece serviços “kilapi”, que vence num período de 26 dias. Esta medida se aplica apenas a clientes de confiança e que procuram habitualmente pelos serviços.
“Tem muita vantagem aqui. Nós podemos fazer kilapi e pagar dentro do acordado. Eu se tiver uma festa esta semana e não tiver dinheiro, posso pedir para pagar depois”, disse.
A proximidade é outra vantagem que as clientes residentes encontram nos serviços prestados por Maria Sofia. Lembra que inúmeras vezes saiu de casa pela manhã e regressou no final da tarde porque encontrava os salões cheios.
Maura Costa, outra frequentadora do estabelecimento, encoraja a força da mulher empreendedora, numa altura em que a limitação de emprego é grande.

Satisfação
Rita Silva trabalha com esta actividade há dois anos. Enaltece a vantagem ao investimento de pequenas unidades que conduzem a proporcionar emprego para muitos jovens.
O incentivo é sempre oportuno nestas ocasiões. Há sempre como ganhar a vida com dignidade. Para ela, se uns conseguem, por que razão outros acham que lá não chegam?, observa. Num período de alguma dificuldade, a crise acaba por ser um lenitivo para ajudar a lutar e encontrar as alternativas e emponderar-se. Avançar é sempre a solução.

A história até servir de meio de comunicação na américa do sul 

O cabelo postiço é  generalmente adquirido no mercado do Congo Democrático, china, Índia, Brasil e Nigéria.
Os agentes que importam este produto, que canalizam no mercado formal e informal.
O mercado do kikolo no distrito do Cacuaco em Luanda, dominam este negócio.

Icones
As tranças africanas sempre fizeram sucesso entre ícones negros americanos, principalmente cantoras e actrizes. No mundo, o número com gosto ao penteado aumenta todos os dias. Por isso, cada vez mais mulheres crespas invistam nesse visual, que traz uma forte carga histórica de resistência e luta da população negra.
 De origem africana, as “braids” eram usadas por algumas culturas para determinar a classe social, origem familiar e até estado civil das mulheres do continente. Na América Latina, os desenhos feitos nas raízes dos cabelos durante o período da escravidão serviam como mapas.
 Diferente das box braids, a trança nagô - também conhecida como corn braids - é feita rente ao couro cabeludo e foi muito usada como forma de comunicação entre os negros. Nos dias actuais, continua a ser uma das preferidas das cacheadas e crespas, e  podem ser feita em cabelos naturais ou sintéticos. Esse modelo de trança também é muito utilizado por homens com o cabelo crespo, porque, além de esteticamente bonito, é prático.
Em Luanda há muitas lojas que comerciam o cabelo,  afirma que é um negócio rentável.