Os 30 bancos (acima de 1.700 agências), 25 operadores de remessas de valores, 66 casas de câmbio aos quais se juntam 26 sociedades de micro-crédito e mais outros que operam no sistema financeiro angolano enfrentaram um ano de inúmeros desafios. Para o Banco Nacional de Angola (BNA), a meta de 2016 foi refinar as medidas antí-crise, através do reforço dos planos de “compliance”.
Lavar a cara do sistema financeiro e ressurgir com uma imagem mais digna na relação com os mercados internacionais e bancos correspondentes assumiu tarefa primordial, uma vez que a escassez de divisas provenientes da arrecadação petrolífera fez soar o alarme de fragilidade operacional das instituições.
O governador Valter Filipe da Silva, após empossado em Março, não teve dívidas; a meta era a de aumentar a confiança dos depositantes e permitir que a banca comercial proporcione felicidade às famílias e a de investimento proporcione recursos para que se continue com o crescimento económico e financeiro.
No lugar da crise, a mensagem para os operadores foi de criar oportunidades que gerem valor acrescentado e novos empregos.
Assim, atendendo ao carácter importador da economia nacional, o BNA enveredou pela medida de cedência prioritária de divisas.

Bancos punidos
Pela primeira vez a banca angolana viu-lhe aplicada à letra o vocábulo “punição”. Claramente, iniciava-se uma nova fase. Foi em Junho, cerca de três meses após empossado o governador Valter Filipe da Silva à frente do BNA.
Os bancos Angolano de Investimentos(BAI), Millennium Atlântico(BMA), Comércio e Indústria (BCI), Caixa-Geral de Angola, Keve, Sol e Standard Bank de Angola foram as seis instituições punidas pelo BNA.
No comunicado, o BNA explicava que a sanção resultava da instauração de processos de transgressão resultantes do incumprimento de normas relativas à obrigatoriedade do dever de informação sobre as operações cambiais por executar e executadas com recursos cambiais obtidos junto do banco central.

Mudanças no BPC
No quadro funcional das instituições, face às debibilidades constatadas, o Banco de Poupança e Crédito (BPC) mudou de administração e passou a observar um regime de governação corporativo mais moderno e adaptável aos desafios do mercado. Uma Comissão Executiva surgia, independente do Conselho de Administração. Com tarefas claras e objectivos desenhados, o banco de capitais públicos dava o primeiro sinal de readaptação ao mercado. Em Dezembro, fruto de um acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), foi anunciado para breve a retoma do crédito, com prioridade aos negócios que focalizam a criação de emprego e desenvolvimento das famílias.
A banca privada assinalou, igualmente, a abertura, já em Dezembro, de 10 novos balcões do Banco Comercial Angolano (BCA), divididos por Luanda, Bengo, Benguela, Cuanzas Norte e Sul, Namibe e Huíla. Deste modo, a instituição fez provas de vitalidade e disposição para com o sucesso da
banca junto das famílias.

Banca em análise
Um dos mais prestigiados estudos, o “Banca em análise” da consultora Delloitte dava conta de que o volume de activos agregados das instituições financeiras angolanas, incluídas na sua 11ª edição, fixou-se nos 7.512 mil milhões de kwanzas. O resultado líquido total dos bancos em análise registou um crescimento de cerca de 19 por cento no mesmo período, para os 116.512 milhões, valor que incorpora a valorização dos activos e passivos em moeda estrangeira ao câmbio oficial. Na posição relativa entre os cinco maiores bancos do mercado, o BPC continuou a liderar a lista.