ADÉRITO VELOSO

O grupo empresarial Mostratus investiu mais de USD 10 milhões na primeira fase da fábrica de Água Cristalina, localizada em Mazozo, comuna de Bom Jesus, município de Ícolo e Bengo, província do Bengo.

Esta informação foi prestada a jornalistas pelo director executivo do grupo, João Pinto, durante uma visita realizada às instalações da unidade fabril na passada quarta-feira (27.01.10).

A ocasião serviu também para a empresa fazer o lançamento oficial do principal produto que está no mercado angolano há mais de três meses denominado “Água Cristalina”.

Durante a conferência de imprensa, João Pinto destacou que o investimento se justifica, na medida em que o grupo empresarial pretende com esta unidade fabril cobrir o grande défice que o país regista, no que concerne à produção de água mineral.

Citando dados estatísticos da Direcção Nacional das Alfândegas, disse que em 2008 o país importou cerca de 96 milhões de litros de água mineral. Para o director executivo do grupo, a fábrica de Mazozo tem a capacidade instalada de produzir anualmente cerca de 100 milhões de litros.

“A nossa capacidade de produção anual instalada nesta fábrica é superior aos 100 milhões de litros por ano. Esta cifra permite-nos estancar as importações. Estamos em condições de estancar este défice”, sublinhou João Pinto, antes de anunciar que estas indicações estão patentes nos avultados investimentos que o grupo empresarial fez para a montagem da fábrica.

“Nesta fase inicial, estamos a falar num investimento acima dos USD 10 milhões. Pretendemos oferecer aos nossos clientes um produto de extrema qualidade”, disse.

Mercado

Apesar de estar presente no mercado há quase quatro meses, só agora é que a empresa decidiu lançar oficialmente o seu principal produto devido a alguns estudos efectuados.

Para ele, os resultados são animadores, já que actualmente o grupo empresarial, através da sua concessionária Mobinvest, SA, que se dedica à comercialização, está a vender o produto em sete províncias do país, nomeadamente Luanda, Bengo, Kwanza-Sul, Huambo, Huíla, Benguela e Lunda-Sul.

Na província de Luanda, a “Água Cristalina” é comercializada à porta do cliente, enquanto que para às restantes províncias a empresa de distribuição tercealiza os serviços. Por outro lado, João Pinto disse que a empresa está a explorar também a distribuição personalizada, com destaque aos restaurantes e hotéis.

“Iniciamos a nossa produção no final de 2009, mas efectivamente começámos hoje (27.01.10), porque nós não consideramos os meses de afinação de toda a estrutura da linha de produção. Agora estamos em condições de lançar o nosso produto, porque já podemos absolver as solicitações do mercado na plenitude que pretendemos”, destacou o director administrativo do grupo, para quem o objectivo é de estender os seus serviços em todo o território nacional.

Prioridade

Apesar de a fábrica ter nas suas instalações meios técnicos e materiais para incrementar o negócio em outras áreas de bebidas, o director administrativo salientou que a prioridade nesta fase inicial recai para a consolidação do mercado de produção e venda de água.

“Nós temos várias empresas no seio do grupo, entre as quais uma de importação e exportação e outra de comercialização. Por vezes, fazemos alguns negócios paralelos, como é o caso da importação de vinhos, mas a nossa grande aposta é sem dúvidas a indústria de água. Nesta unidade, temos condições de produzir refrigerantes, águas com vários sabores e outro tipo de produto. No entanto, queremos cimentar a nossa posição a nível de produção de água, embora, como é óbvio, seja um desperdício não pensarmos no futuro explorar outras áreas”, sublinhou João Pinto.

Negócio

Actualmente a empresa conta com um volume de vendas a rondar os cerca de Kz 60 milhões, perfazendo cerca de 2 mil paletes (estrado de madeira, metal ou plástico que é utilizado para movimentação de cargas) comportando cerca de 504 garrafas de Água Cristalina.

Dificuldades

A nível da unidade industrial da empresa, as principais contrariedades já foram ultrapassadas, segundo o seu director executivo.

“Uma das grandes dificuldade foi a instalação da unidade, bem como todo a fase de instalação da linha, sobretudo pelos poucos recursos humanos que existem em Angola. Ultrapassada esta fase, penso que o próximo objectivo é claramente ganhar uma quota significativa do mercado. Refiro-me às importações, já que os demais, na minha óptica, são parceiros e estão no mercado como nós”, frisou.

Somado a este desafio, João Pinto entende que a distribuição dos seus produtos também consta das prioridades a melhorar, já que, segundo disse, não é fácil fazer a distribuição em Angola.

Matéria-prima

Em excepto a água, toda a matéria-prima que a fábrica dispõe para a produção é proveniente do mercado europeu, com destaque para Portugal e Espanha.

No entender do responsável da Mostratus, a importação de grande parte dos produtos está na base do aumento dos preços, daí ter sugerido que os empreendedores nacionais apostem seriamente na indústria transformadora, o que poderá contribuir a breve trecho para solucionar a situação.

Quanto à mão-de-obra da fábrica, é composta maioritariamente por angolanos. No total são 40 trabalhadores, sendo 34 angolanos (grande parte recrutada na região) e seis expatriados.

“A nossa intenção é de termos aqui estrangeiros, que, além de trazerem um know-how, também vão formar quadros angolanos. Os nossos trabalhadores estão cá há três ou quatro meses, mas já podemos dizer que são quadros preparados para estarem no mercado de trabalho”, asseverou João Pinto.

Produção

Durante uma visita guiada às instalações da fábrica, o director para a área industrial do grupo, Francisco Baptista, explicou aos jornalistas a funcionalidade dos vários compartimentos que compõe a unidade fabril, destacando-se a área de produção, com um total de 4.800 metros quadrados, repartidos por igual em zona de armazenamento e industrial. As máquinas instaladas nas duas naves principais produzem sete mil garrafas de Água Cristalina por hora, perfazendo 168 mil litros por dia.

“Estamos a projectar para os próximos dias incrementar a produção para 12 mil garrafas por hora. Neste local trabalhamos 24 horas por dia, e só paramos para a manutenção”, informou Francisco Baptista.

A fábrica produz para o mercado nacional quatro tipos de garrafas (taras), nomeadamente de 0,33; 0,50, 1,5 e 5 litros. Conta com três geradores eléctricos, com capacidade de 2 mil watt para produzir energia eléctrica e ar comprimido.

Qualidade

A Água Cristalina não é extraída do leito de um rio, mas sim a partir do subsolo e através de mecanismos próprios. Segundo revelou a responsável para a área de qualidade da fábrica, Maria Natividade Teixeira, a água é captada numa profundidade entre 140 e 150 metros, a partir de um aquífero (formação geológica que pode armazenar água subterrânea) bastante protegido às flutuações geológicas que permitem identificá-la como uma água de nascente.

“É uma água pouco mineralizada, basicamente os iões predominantes nestas captações são iões bicarbonato e sódios, que permitem classificá-los como bicarbonato de sódio. Em termos de capacidade de captação de água, as instalações têm condições de bombeamento de 11 a 12 metros cúbicos por hora”, disse, antes de informar que os estudos geológicos efectuados pela empresa apoiados em estudos anteriores garantem um bom período de extracção de água do subsolo, o que permite a empresa estar optimista quanto ao futuro.

A responsável que testa a qualidade do produto (água) disse, por outro lado, que a fábrica segue os princípios básicos exigidos internacionalmente. Para certificar a água, a empresa, para além de um laboratório interno, conta com os préstimos do laboratório da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol).

A fábrica ocupa uma área bruta de 23 hectares, sendo que numa primeira fase foram ocupados cerca 5.600 metros quadrados, repartidos por escritórios (800) e área de produção (4.800). O grupo Mostratus é constituído por uma sociedade de 95% da empresa Mostratus, de direito angolano, e 5% pela Angovipo, empresa de direito português.

O grupo Mostratus é composto por quatro empresas, designadamente Mostratus IED (Importação, Exportação & Distribuição Lda); Mobinvest (comercialização); Mosvipo (indústria) e a SGII (aquisição, legislação, projectos e construção).