As mulheres na província do Bié dominam o mercado de negócio de bens alimentares e de produtos diversos em várias localidades da região.
O JE percorreu algumas localidades, tendo constatado a existência de maior número de mulheres no mercado paralelo a venderem produtos que variam, desde materiais de construção até o escoamento de produtos para o interior dos municípios.
O mercado paralelo do Tchissindo, considerado o maior pela sua extensão e pelo número considerável de vendedores provenientes de distintas localidades, localizado na zona periférica do Cuito, é um indicador do número de mulheres no mundo dos negócios.
O do Tchissindo, que quer dizer “investigação”, é o local de despacho de vários negócios provenientes dos municípios do Bié e das províncias
de Luanda e Benguela.
Estes municípios escoam alguns produtos dos campos para o mercado do Tchissindo nas revendedoras residentes na localidade do Cuito.
Eram 8 horas da manhã, quando o JE chegou ao maior mercado paralelo, período em que os comerciantes provenientes dos municípios despacham
os seus produtos do campo.
Hilária Pedro, 45 anos, moradora no bairro-azul, no Cuito, é comerciante há 20 anos. Diz criar a única filha e os seus netos com os valores arrecadados do negócio.
Hilária Pedro, que vende produtos do campo, disse que “ o mundo do negócio requer paciência, insistência e muita calma. Tem vezes que invisto 400 mil kwanzas na compra de negócio e fico sem lucros, porque tenho de me despachar rápido”, esclareceu.
A vendedora lembrou que “os negócios também têm época, tendo em conta a adesão dos compradores. O comerciante tem de estar atento às necessidades do momento das comunidades, principalmente no interior dos municípios”.
Ela percorre alguns dos municípios para comprar e vender os seus produtos e o que resta despacha no mercado do Tchissindo para garantir o negócio e a alimentação da família.
“Os meu negócio varia, desde que haja concorrência, eu comercializo e vendo, porque o importante é conseguir exercer a actividade. Quando vou aos municípios, avanço para as comunas, por ser os locais onde existe maior carência de bens”, detalhou.
Hilária Pedro disse ainda que, leva loiças, roupas de fardo e detergentes para as comunas dos municípios do Cuemba, Camacupa, Chitembo e Catabola principalmente para as populações que possuem lavras de grande extensão e, em troca, recebe produtos agrícolas em grandes quantidades que depois são transportados em camiões para Luanda.
Acrescentando, a comerciante sublinhou que “enquanto fica à espera dos valores, passa as noites nas “casas de processo”-- e faz a refeição em restaurantes mais próximos enquanto espera despachar o negócio”, explicou.