O actual contexto económico e financeiro que o país está a atravessar causado pela queda do preço do petróleo no mercado internacional, está a fazer com que muita gente, em Cabinda, principalmente, a classe feminina, aposte seriamente na criação de pequenos negócios fundamentalmente nos sectores como da hotelaria-turismo, pastelaria, comercio-geral, restaurante, confecção de vestuários, artesanato, indústria , pescas e agro-pecuário.
Na terceira edição da feira provincial de promoção de produtos locais, realizada recentemente pela Associação das Mulheres Empresas de Cabinda, ASSOMECA, demonstrou-se que as mulheres da província mais ao norte de Angola, querem participar activamente no crescimento económico do país, com o fomento e a valorização da produção local.
A equipa de reportagem do JE percorreu várias tendas das mulheres empreendedoras com produtos diversos e constatou que as empresárias locais estão determinadas em crescer nos seus negócios para a produção nacional, visando o incentivo às exportações e à redução das importações.
A empreendedora Zilia Rocha, dona da pizaria Xedus, que também produz doces e salgados, disse a equipa de reportagem do JE que, participou na terceira edição da feira para mostrar aos visitantes o que a sua empresa possui para oferecer aos consumidores nacionais e estrangeiros.
“Produzimos pizzas, doces de coco, paracuca de coco, bombons caseiros de chocolate, de leite e o coco de farinha musseque que é primeira inovação da casa. Por isso, assegura que começaram com uma pizaria e hoje alargaram para outros ramos.
“Sempre tivemos a produção maior com a banana verde e já estamos a pensar em montar uma fábrica onde serão fabricados vários produtos com a banana pão. Os nossos preços são razoáveis, apesar das dificuldades que encontramos com a importação de matérias-primas”, disse Zilia Rocha.
A empreendedora disse que recorre aos serviços do Banco Millennium-Atlântico para a obtenção de financiamento tendente ao crescimento do negócio.
Uma outra empreendedora de sucesso que se destaca é Maria Sungo do ramo de confecção de trajes africanos. Possui uma alfaiataria onde emprega dezena de pessoas que garantem a produção de diversos tipos de roupa.

Apoio às empresárias

A presidente da Assomeca, Maria Diogo, disse que a organização que dirige está a trabalhar na criação de núcleos municipais para que as senhoras do interior da província adiram ao projecto de empreendedorismo.
“Estamos com o projecto de inscrever mais mulheres para a nossa associação, por isso, vamos avançar para os municípios, porque estamos preocupadas com a vida de muitas senhoras que lutam para o sustento das suas famílias. O objectivo é de tirarmos as mulheres que fazem negócios de uma forma informal para formal. Vamos entrar nas zonas de difícil acesso onde a mulher é mais sofrida, não tem emprego e uma renda inexistente”, explicou.
Segundo afirmou, as feiras que a associação tem promovido servem para divulgar os negócios que as empreendedoras da região fazem. De acordo com Maria Diogo, o empreendedorismo no sector feminino em Cabinda está a ganhar espaço, apesar das dificuldades que as mulheres enfrentam com a escassez de divisas no mercado nacional.


Crédito Dikelemba na forja

Com o objectivo de ajudar as senhoras a aumentar o seu negocio, a associação das mulheres empresárias está a estudar mecanismos para tirar a classe da letargia, com a criação de um sistema denominado “Dikelemba”, que significa em portugues “empréstimo de dinheiro”, que vai funcionar com um banco comercial local.
A presidente da Assomeca, Maria Diogo, disse que o sistema “Dikelemba” vai funcionar como um banco comunitário que será gerido por um grupo de mulheres associadas com o objectivo de ajudar as senhoras a criarem um negócio para terem um rendimento.
“O empréstimo a essas senhoras vai partir das suas próprias economias, ou seja, elas vão fazer uma contribuição que será depositada mensalmente nesta conta e quando alguém precisar de algum dinheiro para criar um negócio, a associação vai recorrer a este fundo”, disse.
De acordo com Maria Diogo, a associação está atenta aos financiamentos bancários para que as filiadas da Assomeca consigam aumentar e diversificar os seus negócios.
Por isso, referiu , apesar do receio que existe no seio das empreendedoras em avançar para um crédito bancário, está a ser desenvolvido um trabalho de educação financeira do seio das empresárias.