YOLA DO CARMO

O grupo empresarial de origem chinesa Niw Continet Imóveis vai investir no nosso país mais de USD 200 milhões na construção civil e promoção de projectos imobiliários, anunciou ao JE o seu director-geral em Angola, Zhang Jin Zhang.

Segundo ele, a empresa pretende construir um complexo residencial de grande dimensão em Camama II, Luanda Sul, composto por 10 edifícios, num total de 80 apartamentos e 108 vivendas.

O projecto, denominado “Parque das Acácias”, está na sua primeira fase e vai contemplar áreas de lazer como club, super-mercado, restaurante, ginásio, piscinas, campo de ténis, uma universidade, hospital, escola primária e um SPA, centro comercial, e ainda um sistema de segurança integral.

Na primeira fase do projecto, está prevista a construção de cinco edifícios, e as 108 vivendas. Esta etapa será desenvolvida com base no material de construção disponível.

As obras estavam para ter início no dia 10 de Abril e serão concluídas em 18 meses. Neste projecto, cerca de 40 angolanos ganharam o seu emprego.

O empreendimento vai ser inserido numa área total de 58. 418,2 metros quadrados, repartidos por habitação, escritórios e uma área para pequeno comércio.

Escritórios

Os apartamentos serão para escritórios e habitação do tipo T1 a T4 destinados à venda e ao aluguer. As áreas de habitação variam 74.28 aos 271.12 metros quadrados. O preço de cada apartamento oscila entre USD 120 mil e 200 mil. Já as vivendas custam USD 208 a 320 mil. Nos escritórios, o preço por metro quadrado está estimado entre USD 6.000 e 7.000.

Zhang Jin Zhang frisou que grande parte dos clientes é expatriado, entre empresas e alguns particulares. Aponta este facto como o factor que está permitir a venda da metade da planta das residências ainda em via de construção.

Uma das características citada pelo gestor tem a ver com a existência de uma bateria de cinco elevadores em todos os andares, alem de três colunas de estradas, todas com ventilação mecânica.

Os enfeites serão em grés com superfície revistada a lâmina de alumínio lacadas anodizadas na cor cinzenta com vidro duplo. O objectivo é garantir protecção do sol. As portas terão acesso ao interior em madeira envernizada.

A comercialização dos apartamentos será feita a partir deste ano pela empresa Nantong Holding, que assinou recentemente um contrato com a promotora New Continet Imóveis.

Qualidade

O responsável anunciou que o grupo vai, ainda este ano, erguer na baixa de Luanda quatro outros edifícios com 22 andares, denominados Jardim de Éden, Ilha Angola e Caponda, que vão ocupar um espaço de 27 mil metros quadrados, também com escritórios e apartamentos para aluguer e venda. As obras devem durar três anos.

“As nossas expectativas é que Angola se venha tornar auto-suficiente em termos de infra-estruturas, onde possamos ajudar a diminuir o grande défice habitacional que há em Angola”, salientou.

De acordo com a fonte, a qualidade de cada novo edifício em construção deve constituir uma preocupação por parte de cada promotora, que executa obras de infra-estruturas, por ser uma responsabilidade de cada um.

Neste momento, estão em curso contactos com empresários que pretendam investir em Angola, para começar desta forma a ter clientes fiéis.

Os apartamentos e vivendas em construção serão do T1, T2, T3,T4, com as suas respectivas áreas de lazer, parques de estacionamentos com capacidade para cerca de 300 viaturas, além de uma segurança eléctrica para moradores.

A empresa está também a prevenir eventuais situações de falha de energia eléctrica da rede. Para isso, será montado um grupo de geradores com alta capacidade para suportar a carga das 188 moradias (108 vivendas e 80 apartamentos).

Expansão

Este ano, o grupo pretende alargar os seus negócios para as províncias de Cabinda, Benguela, Cunene, Bié, e Lundas Norte e Sul.

“Este projecto é multidomiciliar, por isso o grande objectivo da empresa a médio prazo é atingir uma produção de cerca de 800 casas em três anos, referiu.

De acordo com ele, os investimentos do projecto vão surgir de várias fontes que se dedicam ao financiamento deste tipo de obras, como entidades bancárias nacionais e internacionais, fornecedores de equipamentos, e sociedades de investimentos.

Há três anos no mercado angolano, a empresa já executou vários projectos no município de Cacuaco, Talatona e Golfe.

“Todos os projectos do grupo empresarial New Continet Imóveis em Angola estão a gerar empregos para muitos angolanos”, disse.

Outra pretensão da imobiliária é a de transferir tecnologias para começar a reduzir a mão-de-obra expatriada. Contudo, o gestor explica que este processo terá apenas implementação se eventualmente existir uma formação dos angolanos no ramo.

Em relação à concorrência entre as imobiliárias, disse que ainda é fraca, mais tornou-se competitiva no ano passado com surgimento de novos actores no segmento de negócio.

Ele justifica o alto custo da habitação em Angola como sendo resultado da insuficiência de material de construção no país, assim como existência de outros factores intervenientes no processo de construção.

“O material está caro. Quase todo é obtido no exterior do país e, enquanto continuar assim, sem material de base fabricado no país, o preço das casas será sempre alto”, afirma.

Os modelos e tipologias de habitações concebidas para o projecto estão em concordância com o nível do estrato social de quatro categorias referenciadas e de acordo com o poder de amortização do financiamento.