TÓQUIO, 9 fevereiro 2009 (AFP) - O construtor automotivo japonês Nissan anunciou nesta segunda-feira 20.000 demissões e um plano de austeridade para superar a crise mundial, que vai provocar em 2008-2009 as primeiras perdas do grupo desde que o brasileiro Carlos Ghosn assumiu a presidência.

"Estamos tendo três dificuldades ao mesmo tempo: crise do crédito, recessão econômica e alta do iene", lamentou Ghosn, à imprensa, dizendo que "os piores cenários possíveis já aconteceram os últimos meses".

Ele anunciou que o grupo vai cortar 20.000 empregos no decorrer do exercício 2009-2010 que começa dia 1º de abril, com a paralisação das contratações no país, onde o custo do trabalho é mais elevado, a não renovação dos contratos temporários e plano de retiradas já anunciados em vários países. Em 31 de março de 2010, a Nissan terá assim reduzido seus efetivos mundiais em 8,5%.

Nos últimos meses, a Nissan já havia anunciado milhares de demissões de empregos na Espanha, na Grã-Bretanha, nos EUA e no Japão.

Além disso, a Nissa, vai revisar seus investimentos e, principalmente, suspender a participação em um projeto de fábrica comum com o francês Renault no Marrocos.

A carga horária será reduzida e os funcionários vão ficar alguns dias sem trabalhar nas fábricas, e o pessoal convidado a dividir seu tempo de trabalho. No total, a Nissan espera reduzir este ano sua produção de 20% em relação aos objetivos iniciais, o que representa 787.000 veículos em meses.

Para o exercício 2008-2009, a Nissan prevê uma perda líquida de 265 bilhões de ienes (2,2 bilhões de euros) em vez do lucro de 160 bilhões de antes, e uma perda operacional de 180 bilhões. O faturamento será 23,3% inferior ao de 2007-2008.

Esta será a primeira vez que a Nissan entrará no vermelho desde 1999, ano em que o grupo escapoi à falência ao ser assumido pela Renault. Esta será também a primeira perda desde que Ghosn, que chegou à direção da empresa em 1999, assumiu a presidência da Nissan em 2000.

No terceiro trimestre de 2008-2009, a Nissan perdeu 83,2 bilhões de ienes (693 milhões de euros) e uma perda operacional de 99,2 bilhões (827 milhões de euros). O faturamento trimestral caiu 34,4% em um ano para 1,816 bilhão de ienes (15,1 milhões de euros).

Ainda no terceiro trimestre, as vendas mundiais de veículos despencaram 18,6% em um ano, para 731.000 unidades.

Entre as outras medidas de austeridade, a Nissan, que tem 44% da Renault, não vai distribuir dividendos de fim de ano a seus acionistas. Eles terão de se contentar, no ano fiscal 2008-2009, com 11 ienes por ação do fim do primeiro semestre.

Em 2007-2008, eles haviam recebido no total 40 ienes. O grupo também vai comprimir as remunerações de seus dirigentes.

"Em contrapartida, não temos nenhum projeto de fechar fábricas", disse Ghosn, acrescentando que "esta crise não vai durar eternamente".