A ministra do Planeamento, Ana Dias Lourenço, afirmou ontem, em Luanda, que o Governo, ao definir e aprovar o Programa Executivo da Indústria Transformadora, teve como propósito amenizar as ameaças que pairam sobre a indústria nacional devido à concorrência agressiva dos produtos estrangeiros e à debilidade das infra-estruturas de apoio.

Falando na abertura da Conferência sobre o Relançamento da Indústria Transformadora, Ana Dias Lourenço disse que este sector esteve sujeito a um processo de degradação económica, devido ao conflito militar e ao seu arrastamento por mais de 20 anos. Durante esse período, sustentou a ministra, a manufactura nacional foi reduzindo a sua participação no Produto Interno Bruto, acumulando deficiências estruturais, acomodando-se à crescente importação de bens finais de consumo, juntando insuficiências de produtividade e competitividade e utilizando uma mão-de-obra mal qualificada.

Ana Dias Lourenço notou que, durante anos consecutivos, a participação da indústria transformadora no conjunto da actividade económica nacional não passou dos 4 por cento e a criação de empregos apresentou uma dinâmica pouco compatível com os objectivos sociais sobre a máxima criação de postos de trabalho e a consequente redução da pobreza.

Sublinhou que, desde 2002, o Governo passou a considerar a indústria nacional como um dos sectores de desenvolvimento estratégico do país, ao acreditar que este pode desempenhar um papel mobilizador das forças produtivas nacionais e ser uma actividade chave para a dinamização e modernização da agricultura.

Os dados apresentados pela ministra do Planeamento dão conta que a indústria transformadora, apesar de ser um dos sectores que mais cresce (32,6 por cento em 2007), apresenta um índice elevado de concentração e realça que as indústrias de bebidas e de alimentação representam, praticamente, 75 por cento de toda a actividade de transformação do país.

Ana Dias Lourenço garantiu que a indústria transformadora nacional tem um potencial de crescimento notável, para o que concorrem a enorme disponibilidade de recursos naturais, renováveis e não renováveis, a posição geo-estratégica do país na África Central e Austral, o prestígio internacional do país, a internacionalização de algumas empresas angolanas e a dinâmica do crescimento económico intenso que o país tem registado.

Apoio à indústria vai ser reforçado

O Governo angolano apresentou, ontem, o programa de relançamento do sector industrial, que passa por um apoio mais consolidado aos pólos industriais existentes e pela criação de novas áreas nas províncias de Luanda, Bengo, Kwanza-Norte, Cabinda, Uíje, Zaire, Lunda-Norte, Bié e Cunene.

O Programa Executivo do Sector da Indústria Transformadora para o período 2009 – 2012 reflecte uma série de acções que passam pela a reabilitação das infra-estruturas de fornecimento de água, energia eléctrica, estradas e caminhos de ferro, melhoria da circulação de pessoas e bens, construção de pólos de desenvolvimento, agilizarão dos procedimentos para concessão de terrenos e facilidades na obtenção de créditos para instalação de indústrias.

O programa autoriza a construção dos pólos industriais de Viana, Bom Jesus, Lucala, Fútila, Catumbela, Caála, Uíje, Soyo, Dondo, Kunje, Matala e Kassinga, assim como da Zona Económica Especial Luanda – Bengo. Com esta perspectiva, o Governo pretende a reduzir as importações e fomentar a exportação.

No sector agro-industrial, o programa de relançamento realça a construção de várias fábricas, entre as quais quatro de açúcar, uma de álcool, quatro de óleo de palma, duas de óleo vegetal, sete de processamento e transformação de horto-frutícolas, quatro de descasque, branqueamento e embalagem de arroz, três de transformação de mandioca e oito de descasque, torrefacção e embalagem de café.

A indústria alimentar pode contar com três novas fábricas de chocolates, bolachas e biscoitos, uma de conservas de peixe, uma de processamento de mel e cera e outra de massa alimentar. No quadro dos materiais de construção estão previstas quatro indústrias de siderurgia, duas cerâmicas de barro branco, 13 de barro vermelho e quatro fábricas de cimento.

No sector de construção estão programadas construções de várias fábricas: uma de massa fria para preparação de estradas, uma fábrica de asfalto betuminoso, outra de cal, seis de chapas de zinco, cinco de caixilharia de alumínio, três de fios de cabos eléctricos, uma de aglomerados de madeira, três de carpintaria e serração de madeira, três de carpintaria de madeira maciça, duas de mobiliário de madeira, duas de soalhos e pavimentos de madeira e uma de explosivos, além de quatro centros de britagem.