O Porto Comercial do Lobito manuseou no primeiro trimestre do corrente ano 564.479 toneladas de mercadorias diversas descarregadas em 103 navios que atracaram naquela unidade económica portuária, informou nesta terça-feira o seu director José Carlos Gomes.

O responsável, que falava no acto que marcou as comemorações dos 81 anos da empresa que na terça se assinalaram, disse que apesar de da crise económica mundial a empresa registou um movimento regular de navios e o aumento do nível de manuseamento de cargas em relação ao mesmo período do ano transacto, em que haviam sido manuseadas 483.697 toneladas.

Fez saber que a empresa está capacitada, do ponto de vista de recursos humanos e meios tecnológicos, para o manuseamento de cargas que poderem surgir nos próximos tempos sobretudo quando o Caminho-de-ferro de Benguela estiver em pleno funcionamento.

No entanto, apontou como factor de constrangimentos da actividade a morosidade que se regista no levantamento das mercadorias que chegam no recinto portuário.

"Lamentamos porque ainda existe muita burocracia em certos sectores que intervêm, sobretudo de alguns importadores que consideram o porto como se fosse armazéns de stock.

Carlos Gomes anunciou a entrada em funcionamento do novo porto seco em Novembro próximo cujo objectivo visa prevenir o congestionamento do actual recinto portuário.

Apesar dos avanços que se registam no sector, Carlos Gomes aponta como desafios para os próximos doze meses a formação de jovens que trabalharão exclusivamente na ponte cais onde será descarregado minério proveniente das repúblicas vizinhas da Zâmbia, República Democrática do Congo e de outras origens.

A conclusão da pavimentação de mais mil 500 metros de extensão e a substituição de 25 quilómetros da linha férrea que serve para o escoamento de mercadorias do recinto portuário até ao corredor principal do Caminho-de-Ferro de Benguela, também constitui uma das apostas da direcção da empresa.

O Porto do Lobito, criado há 81 anos, em função da importância do Caminho-de-ferro de Benguela, é tido como uma unidade estratégica para o desenvolvimento económica do país e da região da Africa Austral.

É do porto do Lobito onde "nasce" o Caminho-de-Ferro de Benguela que atravessa o território angolano, numa extensão de mil e 314 quilómetros no corredor Lobito (Benguela) ao Lwau província do Moxico, fazendo conexões com as linhas férreas da RDC e da Zâmbia.

A empresa portuária do Lobito conta com pelo menos 2500 trabalhadores entre efectivos e reformados.

O acto das comemorações dos 81 anos de existência do Porto do Lobito contou com a presença de várias entidades com destaque do director nacional do Instituto Marítimo Portos e Aeroportuários, Victor Carvalho.