O empresário José João Rafael, ligado ao sector do comércio, transportes e agro-pecuária, considerou a actual situação económica do país “bastante dura” em função das dificuldades que os homens de negócio em Malanje enfrentam para realizar as suas actividades comerciais. José João Rafael que é proprietário duma das mais conceituadas empresas do sector comercial em Malanje, a JJR, disse à reportagem do JE, que não há comparação possível entre a actividade comercial desenvolvida no passado e a actual. Para o empresário, a realidade que o país vive é muito dura e não tem nada a ver com o passado, pois como disse, a grande diferença é que hoje, a nossa economia dança a música do dólar”, realçou. “Hoje, o comerciante faz tudo em obediência à moeda estrangeira e isso descomanda toda a actividade e quem paga por isso é o consumidor final. Hoje, podemos comprar um produto a dois ou três mil kwanzas, no período da manhã por exemplo, se voltares lá horas depois, podes encontrar um outro preço, não é justo”, lamentou. José João Rafael considera que exercer comércio nessa fase, parece uma tarefa difícil porque durante a trajectória encontra muitas barreiras pelo caminho. O empresário que exerce a actividade empresarial em Malanje desde a década de 70, aponta a falta de financiamento por parte dos bancos como o maior problema que os comerciantes enfrentam. “Os bancos existem, mas, quando vais solicitar o préstimo, só em documentos já é um problema. As vezes o banco diz que tem que ter uma contabilidade organizada, e quando a tiveres, a instituição diz que tens que ter alguma coisa para hipoteca que sirva como garantia”, desabafou o homem de negócios, tendo acrescentado que, por esta razão muitos estabelecimentos que exercem actividade comercial na província não são registados com os nomes dos proprietários. Disse ainda que, o facto de serem clientes de diferentes bancos, os homens ligados aos negócios não encontram nenhuma facilidade na obtenção de um crédito bancário o que tem dificultado cada vez mais a sua actividade. O gestor apontou os homens e mulheres que se dedicam ao empresariado como verdadeiros heróis e como tal, disse, “deviam ser condecorados porque na verdade são heróis e muitos desses exerceram essa actividade nos momentos mais marcantes da história do nosso país”, completou. A empresa JJR garante emprego a mais de 80 jovens. Deste número, muitos aderem a actividade do campo. Assegurou que o salário é garantido na base dos rendimentos da empresa. “Registamos por vezes algum atraso de salários, mas também compreendem porque as dificuldades que atravessamos, são do seu domínio, daí que quando isso acontece, não reclamam”, realçou. O empresário não deixa de acreditar por seu turno nas políticas do Executivo através das mudanças em curso que na sua óptica, poderão mudar o rumo do país.