A estratégia de diversificação torna-se visível pela subida de outras áreas apesar de ainda revelar uma forte contribuição do segmento petrolífero.

A estrutura do balanço agregado do Sector Empresarial Público (SEP) referente a 2011 demonstra uma crescente subida dos níveis de participação de outros segmentos da economia fora do petrolífero, que, apesar disso, ainda mantém o maior peso na organização financeira das unidades participadas do Estado.

Conforme o relatório de aprovação de contas emitido pelo Instituto do Sector Empresarial Público (ISEP), recentemente, no seu conjunto, as empresas apresentaram um lucro financeiro de 3,2 mil milhões de dólares e um volume de negócios calculado em 34,2 mil milhões de dólares.

Com isso, a sua participação com a liquidação dos impostos sobre rendimento foi de 1,7 mil milhões de dólares, fruto dos mais de 5,1 mil milhões de dólares que foram apurados como resultados operacionais destas unidades estratégicas. Desde logo, mesmo que tomado ainda como incipiente, o desempenho das empresas públicas chega a satisfazer, na medida em que estes operadores do sistema económico já evidenciam alguma maturidade no seu comportamento de mercado, visto pela aprovação (com e sem reservas nalguns casos) dos resultados de um total de 15 unidades empresariais.

Esta relativa solidez das empresas públicas pode ser, igualmente, demonstrada pela existência de uma carteira de activos fixada em 47,7 mil milhões de dólares, fundos próprios de 17,4 mil milhões e um passivo estimado em 3,03 milhões, indicações que asseguram uma forte almofada para travar as insolvências que decorram de efeitos externos às contas das empresas.

Gestão do passivo

Por outro lado, o balanço agregado do Sector Empresarial Público (SEP) revela, de igual modo, que, dos valores globais dos activos, 67 por cento reportam à área petrolífera, 19 por cento à banca e os restantes 14 por cento aos outros sectores. No que respeita aos capitais próprios, os petróleos concentram 78 por cento, a banca 6 e os outros sectores aparecem com 16 por cento da carteira global.

Quanto ao passivo, também é o sector petrolífero que detém uma maior percentagem, 61 no caso, seguindo-se-lhe a banca com 27 e os outros sectores com 12. Mérito na presente avaliação ao sector bancário que já se começa posicionar como uma alternativa na geração de fundos e de capital às empresas, constituindo-se assim num forte vector de criação de valor acrescentado à economia nacional.

Não menos importante, no reporte financeiro do Instituto do Sector Empresarial Público (ISEP), é também o facto de, no respeitante aos resultados operacionais por sectores, existir uma divisão percentual ajustável ao peso de cada um destes na economia, pois por aqui se pode compreender a concentração de 93 por cento para o petrolífero, 4 para a banca, que cresce de forma acelerada, e os restantes 3 aos outros sectores económicos.

Face a estes números, ao conjunto das 60 empresas (70 por cento do total do sector) que procedeu à apresentação das contas que constituem o SEP colocam-se como principais desafios a sua transformação em instrumentos efectivos, eficazes e eficentes nesta ampla tarefa de facilitar as estratégias de crescimento e desenvolvimento sócio-económico do país, conforme definido pelo Executivo angolano.

Para que estes objectivos sejam concretizados, nos próximos quatro anos, o SEP adoptou como metas a continuidade dos programas de reestruturação das empresas públicas que podem ser consideradas estratégicas, o redimensionamento do sector e o reforço da sua capacidade institucional, a fim de que a materialização dos compromissos das firmas com participação financeira do Estado possam resultar no seu melhor acompanhamento, maior fiscalização e no reforço dos níveis de monitorização da acção de mercado.