O primeiro vinho “made in Angola”, o Serras de Xxila, já está a ser comercializado no país devendo chegar a Portugal em breve, disse o administrador da Herdade de Santa Maria, Carlos Carneiro.

“Por que não? O nosso vinho tem qualidade”, afirma o responsável, que destaca as críticas positivas de especialistas franceses e italianos, que já provaram e gostaram.

Produzido e engarrafado no país, o Serras da Xxila é feito a partir da casta angolana Muzondo Menga Ixi, do Cuanza Sul.
Mas até lá, há ainda um longo caminho a percorrer no mercado angolano, onde o Serras da Xxila começou a ser vendido. Da produção de 2013 resultaram 70 mil garrafas, estando disponíveis no mercado cerca de 60 mil.

“É sobre esta base que estamos a produzir”, disse Carlos Carneiro à imprensa portuguesa, acrescentando: “como estamos no início, é difícil estabelecer uma comparação com outros vinhos”, nomeadamente com os portugueses, que são dos mais exportados para Angola.
Na nota de prova de Serras da Xxila consta que é um vinho com uma acidez de 4,19 e com um teor alcoólico de 15 por cento, tendo feito o estágio em barrica de carvalho francês e americano durante um ano, sendo frutado com notas de framboesa, amoras e especiarias.
Em breve, será lançado um vinho tinto reserva 2013, em estágio há três anos, produzido a partir de castas europeias como a Touriga Nacional, Malvechet, Alicante Bouchet, Pinot Noir e Cevenet Bavignon.
A herdade de Santa Maria tem 17 mil hectares, 50 dos quais dedicados à produção de vinhos e de uva de mesa.
O projecto, que tem assessorias técnica brasileira e industrial portuguesa, conta com um investimento total de 16 milhões de dólares desde 2008, valor que inclui a produção de outros produtos como azeite, para o qual foram plantadas oliveiras, e ainda a pecuária, sobretudo gado bovino e caprino, instalados em 5 mil hectares.

Promoção do vinho
Aproveitando o final do fórum empresarial Angola-Portugal, o primeiro vinho angolano deu-se a conhecer no Hotel Epic Sana, em Luanda. O “Serras da Xxila” chegará agora à grande distribuição, sendo que a exportação para a diáspora angolana é já uma hipótese.
Num pequeno texto descritivo no rótulo da garrafa, Francisco Higino Lopes Carneiro reconhece ter sido um sonho, para si e para a sua família, a produção de um vinho de qualidade em Angola: “Espero que tenham tanto prazer em bebê-lo como tivemos em produzi-lo”, escreveu.

Dados da ViniPortugal indicam que Portugal vendeu para Angola 62,6 milhões de litros em 2014, no valor de 95,1 milhões de euros, país que é o segundo mercado mais importante de exportação, a seguir à França.

A venda de vinho português para Angola poderá sofrer com a crise do país e cair este ano para metade do vendido em 2014, segundo a Associação Nacional dos Comerciantes Exportadores de Vinhos e Bebidas Espirituosas (ANCEVE) de Portugal, segundo o qual alguns vendedores já estão a sofrer com atrasos no pagamento e pressão para vender “categorias inferiores e a preços mais baixos”.
Angola representa 20 por cento das exportações de vinho de mesa português, situação que sofrerá agora com a redução das exportações portuguesas.