A suspensão da actividade de exploração de madeira decretada pelo Ministério da Agricultura e Florestas, desde 1 de Fevereiro deste ano, gerou até ao momento prejuízos calculados em mais de 300 milhões de kwanzas aos operadores na província do Cuando Cubango.
Os prejuízos resultam do aluguer de mais de 30 camiões fretados ao preço de 800 mil a um milhão de kwanzas, a par das despesas com o pessoal e máquinas.
Tendo em conta esta situação, o presidente da cooperativa dos madeireiros do Cuando Cubango, Miguel Lissala Tchiovo, solicitou ao governo local a liberação de mais de 30 mil metros cúbicos de madeira, que não podem ser vendidas devido à suspensão da actividade de exploração de
madeira em todo o país.
Explicou que os camiões carregados de madeira deviam proceder a descarga desde que se permitisse a sua venda dentro ou fora do país.
“Há toda a necessidade de se resolver o problema em causa”.
Em declarações à imprensa, à saída de um encontro com o director-geral do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), Simão Nzau, que chefiou uma delegação interministerial, Miguel Lissala Tchiovo informou que estão envolvidos mais de 60 empresários que estiveram engajados
na campanha florestal 2017.

Visita de constatação
Por sua vez, o director- geral do IDF, Simão Nzau, explicou que visita o Cuando Cubango, no âmbito da comissão interministerial criada para a implementação do Decreto Presidencial nº 274/17, relacionado com o fim da campanha 2017.
Disse que depois do desfecho da campanha houve algumas situações que ficaram pendentes e uma vez que é do interesse do Estado resolver tais assuntos, foi criada a referida comissão que está naquela província para analisar os factos ocorridos no processo de exploração e transportação de madeira.
O objectivo, avançou o responsável, é encontrar soluções que satisfaçam todos os que estão envolvidos no referido processo, tendo considerado positivo o esforço que o governo provincial já fez em torno do processo, que será continuado ao longo dos três dias de trabalho.
Simão Nzau confirmou que os madeireiros locais estão preocupados com a situação da madeira suspensa de transportação e comercialização, a julgar pelo facto de a campanha 2017 não ter merecido o tempo suficiente, o que não permitiu o cabal tratamento das licenças das empresas envolvidas.
Referiu que o Ministério da Agricultura e Florestas está preocupado com tal situação, pelo que irá encontrar soluções adequadas para atender os madeireiros, porque o interesse não é deixar a classe empresarial desprotegida, mas valorizá-la para que tenha condições de trabalho e obtenha benefícios que advêm desta actividade.
Esta foi a segunda campanha florestal referente ao ano 2017 suspensa pelo Governo angolano.
Dados do Ministério de tutela indicam que durante o ano passado, foram produzidos 171 mil metros cúbicos de madeira em toro e exportados 108.740 m3 de madeira em toro e 43 mil m3 de madeira serrada.