Num matagal com arbustos e árvores banhadas pelas correntezas da água do rio Cuvango, foi implantada a fazenda “Mumba”, com cerca de 22.700 hectares de terras aráveis, favorável para a prática da agro-pecuária à escala industrial.
O responsável do complexo agro-industrial, David Nascimento, revelou que o projecto pretende se transformar num “gigante na produção de milho e carne bovina”.
No complexo, disse, as máquinas estão a efectuar o desmatamento dos espaços necessários para o cultivo.
“Anima-nos apostar na área por haver água em abundância, a partir do rio Cuvango, numa extensão de aproximadamente 22 quilómetros”, informou.
O também engenheiro agrónomo considerou ser um valor acrescentado a existência do rio, por criar condições adequadas para desenvolver a cultura de cereais sem interregnos.
“Optamos por desmatar em forma de arrastão que é mais rápido e já se atingiu mil hectares, que estão agora em preparação para o cultivo experimental de milho”, destacou.
As infra-estruturas auxiliares entre elas armazéns, refeitórios, oficinas, dormitórios e outros, estão já concluídas.

Aposta na agro-pecuária
Foram adquiridas 400 cabeças de gado bovino de “alta selecção” para o fomento animal na região de forma que até finais do próximo ano, possa haver um incremento de mais cem novos animais.
“Pretendemos dobrar anualmente a criação de gado bovino e outros para servirem de abate e sustentar os matadouros a serem instalados”, sublinhou.
Por outro lado, o acesso a área está já facilitado com a abertura de uma picada de 52 quilómetros que torna o trânsito mais cómodo e fluído.
Nas obras de implantação e criação de animais, foram enquadradas 48 pessoas, mas há perspectivas de aumentar a cifra à medida que se efectivar a produção.
A lavoura do milho começa na próxima campanha agrícola tendo-se projectado que as primeiras para 2019, atinjam as 7.200 toneladas.
O actual investimento efectuado pela empresa “Omatapalo” ascende os 14 milhões de dólares, de um total de 30 milhões previstos para permitir a instalação de uma moagem para a transformação do milho em fuba e uma fábrica de ração para o gado bovino.

Fazendas crescem na região Sul
O número de fazendas na províncias da Huíla, Namibe e Cunene rondam as 60, onde as que mais se destacam são a  “NNN”, “Caimone”, “Tchimbolelo”, “Pau Caçador”, “Tchimcombar”, “Jamba” e “Achor”.
Existem ainda a fazenda  “Agro-sol”, “Angostrich”, “Agro-angostrich”, “Sulcarnes”, “Kapanda”, “Tchicombe”, “Maboqueiros” e “Gongolo”.
A maioria das fazendas dedicam-se principalmente à criação de gado bovino, de raça “Zebu”, “Brahnan”, “Nelore”, “Bonsmara”, “Sibra”, “Lmousin”, “Devon”, “Guzerá”, “Mix regional” entre outros, assim como cultivo de cereais e hortofrutícolas.

Produção em alta
Por exemplo, a fazenda “Trevo”, com quatro mil hectares de terra está a apostar na criação de gado bovino da raça “Bosmara”, com um total já de 900 cabeças.
No início, os promotores receavam que a raça não fosse capaz de se adaptar ao clima, bem como ao pasto, água e outras condições da região.
O sucesso alcançado dá indicadores de que a fazenda poderá atingir dentro de dois anos, duas mil cabeças e dar suporte ao projecto de repovoamento animal de diversos criadores do país.
O surgimento de novos ganadeiros em todos os pontos do país representa uma mais-valia para o aumento do rebanho e da capacidade animal para o abate.
A fazenda “Trevo” conta com 60 trabalhadores e investiu mais de 700 milhões de kwanzas para a materialização do projecto, numa altura em que possui um património estimado em seis mil milhões.
Os promotores entendem que se deve dar maior atenção aos projectos viáveis, principalmente no sector agro-pecuário, para que se possa atingir rapidamente a diversificação da economia e tornar o país auto-suficiente, no abastecimento de carne.
Condições como pasto, água, técnicos veterinários e espaços enormes podem galvanizar o desenvolvimento da pecuária.