O quilograma de “Terras Raras” nos mercados internacionais é vendido a 60 dólares. O quilate de diamante, pelo menos no último trimestre, esteve cotado a 155 dólares. O barril de petróleo (122 litros) são 56 dólares. O fosfato está a ser negociado por 30 dólares o quilograma. Pelo quilo de Cobre paga-se cinco (5) dólares. O Ouro, por sua vez, custa 45 dólares por uma grama. Ao que se admite, Angola concentra 38 das cerca de 50 espécies de minérios existentes. Os dados das companhias nacionais e estrangeiras mostram que o mercado de commodities está à disposição da indústria mineira angolana, razão pela qual a atracção de investimentos é, neste momento, é das tarefas mais desafiadoras, um processo que deverá ser consequência positiva das reformas em curso neste momento.

Reformas avançam
As reformas legais no subsector mineiro passam pela criação da Agência Nacional de Recursos Minerais para desempenhar o papel regulador e libertar as empresas públicas do subsector Endiama e Ferrangol dessa função para se focarem no seu objecto de negócio à semelhança do que bem resulta no sector dos petróleos, segundo opinião da crítica. Já é ponto assente que a segurança, confiança, capacidade técnica e, sobretudo, a rentabilidade das empresas do sector mineiro são desafios da atracção de investidores nacionais e estrangeiros para o sector. Tal como reiterada no recente Conselho Consultivo do sector, o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN 2018-2022) alinhou metas claras para o sector dos recursos minerais e petróleos. Para as rochas ornamentais, estima-se um aumento de 62 por cento, até 2022, comparativamente aos indicadores colhidos em 2017. A produção de fosfato chega a 1,35 milhões de toneladas até 2022. A produção anual de calcário, por seu lado, para o fomento da actividade agrícola, deve registar um aumento de 16 por cento em comparação com os registos de 2017. Através destes insumos, espera-se uma efectiva melhoria na actividade de correcção dos solos. A areia siliciosa, muito requerida na indústria transformadora e de abrasivos, também deverá registar uma subida de 16 por cento na sua produção, em 2022, quando comparada com as estatísticas de 2017. Também vai aumentar em 16 por cento a produção de argila, necessária no apoio à indústria transformadora e à prática de arte.
O ferro deverá atingir uma produção anual de 1,79 milhões de toneladas/ano, isso até 2022. Ainda sobre o ferro, novas explorações acontecem desde o início deste ano nas províncias da Huíla e Cuanza Norte, com a produção inicial de 451 milhares de toneladas até 2022, ano em que deve atingir o máximo de 1.790 milhares de toneladas. Assim é que no Longonjo, província do Huambo, um projecto de prospecção de minerais, com duração de aproximadamente dois anos, permitiu identificar 23 mil milhões de toneladas de metais valiosos, conhecido por “Terras Raras”. Os tipos de metais conhecidos por Terras Raras chegam a 17. Porém, seis tipos são mais conhecidos: Neodímio, Lantânio, Praseodímio, Gadolínio, Samário e Cério. A China é o principal produtor no mercado do minério, cujo consumo é de 150 mil toneladas/ano.

1ª conferência internacional do sector mineiro em novembro

Sob o Lema “Investir e diversificar para desbloquear o potencial do Sector Mineiro angolano, a empresa AME Trade Ltd, do Reino Unido, com o apoio institucional do Ministério dos Recursos Minerais e Petróleo, realiza nos dias 20 e 21 de Novembro de 2019, no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda, a Primeira Conferência e Exposição Internacional sobre o Sector Mineiro Angolano.
O evento visa atrair investimento nacional e estrangeiro e promover a visão do Governo de Angola sobre o sector e a sua economia em geral. A iniciativa servirá ainda de plataforma para que Angola atraia parceiros para a etapa de prospecção e/ou exploração de minerais, promoção de projectos em toda a sua cadeia de produção mineral e apresentação de novas prioridades de investimento neste importante sector da economia nacional. Durante 2 dias, serão realizadas conferências, exposição comercial e oportunidades de networking.

workshop na huíla em outubro

A cidade do Lubango vai ser palco, em Outubro, de um workshop sobre rochas ornamentais, numa realização do Ministério dos Recursos Minerais e Petróleo (MIREMPET). O sector deve também prestigiar a realização da 27ª edição da Expo-Huíla, a decorrer de 12 a 14 de Agosto próximo, onde são esperados um mínimo de 225 expositores (número já inscrito até ao momento), um aumento de 90 participantes em relação à edição anterior. Entre as áreas de destaque o das rochas ornamentais junta-se às do agro-negócio e turismo. O país tem, actualmente, uma produção de 64,5 mil metros cubicos/ano. Para 2022, a meta cifrada  é de atingir as 104,6 mil toneladas. Os dados mais recentes do sector avançam que a Huíla produziu, em 2017, mais de 36 mil metros cúbicos, produção que representou uma queda de mais de cinco mil metros cúbicos se comparada aos registos de 2016. O sub-sector facturou, só no I trimestre do ano passado, mais de dois mil milhões de kwanzas com a venda de mais de 20 mil metros cúbicos à Asia (Emirados Árabes Unidos) e Europa (Polónia).

Fileira estratégica
Angola está a fazer, neste momento, uma nova actualização da sua carta geológica para melhor conhecer os seus recursos naturais.
Para tal, o Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia (LNEG) está envolvido no levantamento e há recursos importantes e que devem ser explorados. A estratégia é de aproveitar toda a fileira de minerais disponíveis e encontrar investidores e empresas capazes de aproveitar melhor esses recursos. Portugal é, neste momento, dos principais interessados nas rochas ornamentais angolanas, embora esteja em desvantagem ante outros potenciais compradores destes recursos. Recentemente, à margem da Filda 2019,ficou patente a intenção das autoridades lusas em garantirem boa parte das exportações de rochas ornamentais angolanas para alimentar o seu promissor mercado de mobílias e decoração.