As agências de publicidade, associadas na Associação Angolana das Empresas de Publicidade e Marketing (AAEPM),  mostram-se bastante preocupadas pelo facto de um número considerável de organismos do Estado e empresas públicas abrirem concursos para serviços de publicidade, a um universo muito reduzido de empresas e com prazos para apresentação de propostas impossíveis de concretizar. Registam-se casos em que são oferecidos pouco mais que três dias.
Segundo uma nota da instituição que o JE teve acesso, esta prática acaba por ser danosa tanto para as empresas de publicidade nacionais como para os cofres do Estado uma vez que não permite, ao organismo ou empresa pública que abriu o concurso público, apurar a melhor proposta qualidade/preço e a proposta que melhor irá cumprir os seus objectivos de comunicação que é, no final, a razão de ser do concurso público em questão e da despesa pública aplicada.
Por outro lado, o documento sublinha que, esta prática indicia, também, pouca transparência e, nalguns casos, percebem-se escolhas pré-definidas.
De acordo com a nossa legislação, as agências devem ser consultadas em pé de igualdade e os prazos para a apresentação de propostas nunca devem ser inferiores a 15 dias úteis para permitirem avaliações quer de ordem orçamental ou de estratégia criativa correcta.
Estes prazos, prossegue a nota, são prática internacional corrente e devem ser considerados no nosso país. Prazos de 3 dias remetem claramente para prestações de baixa qualidade, o que não abona a quem responde. Prazos diminutos impedem que as agências possam apresentar as suas melhores propostas orçamentais porque, muitas vezes, dependem de fornecedores e de stocks disponíveis que impedem também, que possam reunir os documentos para concorrer.