O crescimento económico que o país tem estado a registar nos últimos anos tem incentivado as empresas nacionais e estrangeiras que operam em todo o território a incrementarem e expandirem cada vez mais as suas actividades. As projecções e balanços de receitas adquiridas em cada ano constituem molas impulsionadoras para o empresariado acreditar que o mercado nacional é cada vez mais promissor.

O exemplo disso está patente nos cerca de 4,5 milhões de Euros (USD 6,2 milhões) em lucros, que a empresa portuguesa Ramalhos SA, vocacionada ao fabrico de fornos industriais para padarias e pastelarias (pequeno e grande porte) pretende angariar resultante das vendas dos seus produtos em Angola, durante o ano em curso.

Em declarações ao JE, a directora de exportação da firma, Andreia Ferreira disse que estes lucros demonstram a fertilidade que o mercado angolano oferece aos investidores. Segundo Andreia Ferreira, a empresa portuguesa estabeleceu como metas para 2010 a facturação de mais de 30 milhões de Euros (cerca de USD 41,7 milhões) nos mercados onde opera.

No ano passado, a Ramalhos teve uma facturação em vendas directas de 3,1 milhões de Euros (USD 4,3 milhões). Este ano representará para a firma um aumento significativo de receitas, apesar dos efeitos da crise económica mundial que ainda se fazem sentir. “Angola tem um crescimento económico sem paralelo no mundo. A nossa facturação tem tido um crescimento médio anual de 30% e estamos certos de ter ainda uma ampla área de progressão. Esperamos facturar este ano cerca de 4,5 Milhões de Euros”, revelou.

Ramo de actividade

A Ramalhos é uma empresa de direito português com 45 anos de experiência no fabrico de fornos industriais para padarias, pastelarias, hotelaria e supermercados. Ela foi constituída em 1967 e iniciou a sua actividade como uma pequena empresa artesanal e intervém no mercado angolano por duas vias: directa e através de representante. Com uma quota de cerca de 80% do mercado português, tornou-se desde há muito um dos principais construtores europeus do sector e uma marca exportadora de referência para países como Canadá, Estados Unidos de América, Espanha, França, Inglaterra, Suíça, Suécia, Roménia, Grécia, Polónia e Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Em Angola, a empresa tem equipamentos instalados através dos seus representantes nas províncias do Bié, Cabinda, Moxico, Benguela, Huíla, Huambo, Kuanza-Sul, Malanje e Namibe.

No mercado angolano, ela conta já com cerca de 20 anos, mas só há oito é que começou a fazer venda sistemática e a desenvolver esforços no sentido de se adaptar às especificidades do mercado, bem como de encontrar parceiros locais que pudessem prestar o apoio necessário. “Em quase uma década de investimentos em Angola com participações anuais em feiras em Luanda, formação de técnicos angolanos em manutenção de equipamentos em Lisboa e cooperação com empresas angolanas, conseguimos ser uma marca de referência”, destacou.

Metas para 2010

Para este ano, a empresa pretende participar na Filda que terá lugar na capital angolana de 20 a 25 de Julho e a 6 a 10 de Março fazer-se presente na EUROPAIN que decorrerá em Paris (França). “Neste período pretendemos lançar o novo modelo de forno Microram XS que é um novo comando nos fornos eléctricos de tecnologia de ponta. Tratam-se de comandos com um software avançado de possibilidades quase ilimitadas, que permitem por exemplo ser remotamente ligados dando acesso em tempo real a todos os parâmetros do forno e com um novo sistema de economia e de eficiência energética”, sublinhou.

Produtos

A organização tem no mercado nacional três tipos de fornos: o anelar, rotativo e o terminal de cozedura. As suas características variam, sendo que o forno anelar tem um sistema de tubos anelares de aquecimentos irradiante. A superfície de cozeduras possui 5 a 27 metros quadrados e são uniformes e rentáveis para médias e grandes produções. Pode funcionar a gasóleo, gás e lenha. Já os fornos rotativos possuem um carro de dezoito tabuleiros e outro de dois carros com capacidade de vinte tabuleiros com 80x60 centímetros. Estes fornos são destinados para padarias e pastelarias de pequenas e médias produções.

Possui igualmente o terminal de cozedura, que é um forno eléctrico modularizado, destinados a padarias de pequena produção, pastelarias, restaurantes e pizzarias. Estes fornos eléctricos para tabuleiros de 0,75 x 0,45cm contêm uma capacidade de 1 a 3 tabuleiros por câmara. Os mesmos têm ainda possibilidade de sobre por até quatro câmaras, totalmente independentes; controlo independente (analógico ou digital) da temperatura do lar, tecto e porta de cada câmara; sistema de economia de 20% ou 40% no consumo de energia (conforme a opção).

“A Ramalhos dotou-se de máquinas de tecnologia de ponta e de um moderno gabinete técnico que controlam esses equipamentos (mais de 90%) por computador e em parceria com a produção, de modos a servir um mercado cada vez mais concorrencial e competitivo”, frisou.