Todos aguçam o engenho para vencer na vida. Cada um à sua maneira, procura montar um negócio para mudar o curso da sua vida. O casamento entre a teoria e a prática definitivamente está “selado”. É proibido falar em “divórcio”. Quando em 2013, foi lançado o concurso das “Sete Maravilhas de Angola”, para muitos era mais um “Show”, mas a jovem Rebeca Ilunga proprietária da marca “Ilunga Art” já pensava alto e, com o olfacto afinado no negócio, olhava para lá do muro. Foi uma oportunidade para implementar um sonho e uma ocasião para “ganhar dinheiro vendendo a imagem de Angola”.
Inovar e crescer faz parte do léxico da jovem. Além de facturar, queria pôr fim a importação de abre-latas e porta-chaves.
Mostrar às potencialidades culturais e turisticas, servem de “ponte” para atrair investidores.
A Ilunga ART tem o foco principal brindar uma variedade de produtos como porta-chaves, e objectos denominados “Ímanes” e abridores de garrafas, De resto, as imagens culturais, figuras históricas e turísticas estão cravados dando um verdadeiro colorido e realce às potencialidades culturais. Tudo começou em 2011. Cada produto tem uma história de Angola a contar, uma cultura a revelar, um grupo étnico a apresentar, tanto a angolanos como a expatriados, que queiram conhecer mais sobre o nosso país. E incorporou no negócio um ponto de vista turístico e educativo. Apesar de implementar naquele ano, a visão, já tinha mais tempo, apenas estavam à procura de meios.

Flamingos e Mukubas
Por exemplo, os “Ímanes”, dos apresentados consta a imagem da Rainha Njinga, os famosos Flamingos de Benguela, a Welwitscha do Namibe, a Baía de Luanda, a Fortaleza de São Miguel, Cabo Ledo, e a zona turística Ilha do Mussulo.
A milenar cultura dos mukubas onde uma mãe transporta a criança às costas, as vistosas Quedas de kalandula, bandeira de Angola, a Palanca negra, girafas, e outras raridades do país, constam do leque
de brindes feitos pela firma.
A matéria-prima é local, com destaque para o papel, madeira, plástico e o metal. Tudo depende do produto que se quer
ter no momento.
Como dizia o poeta maior “Aos nossos rios, nossas lagoas, às montanhas, às florestas havemos de voltar”. É o regresso e a valorização do nacional, como reforçou alguém: “O regresso às origens”
enquadra-se bem nesta altura.
“Eu sempre gostei de fotografia. Tinha muitas fotografias de viagens que fiz de carro por Angola e queria usá-las de uma forma diferente. Na altura fiz testes com alguns artesãos, mas o resultado não foi o que eu esperava, então parei para encontrar outra forma de os fazer”, disse Rebeca Ilunga.

Motivação
O interesse foi aguçado ainda mais, quando verificou que Angola era um dos países da SADC que não divulgava o seu potencial de outra forma, senão a comum em muitos, e assim a coisa aqueceu. E também queriam participar na divulgação do turismo e da diversidade dos povos de Angola.
“ Há uns anos atrás tínhamos mais expatriados em Angola, mas do sector petrolífero, que só conheciam Angola pela indústria do Oil & Gas, então, falar da beleza e mostrar através desses objectos nos
motivava bastante” destacou.
Vender (Angola )no exterior, é também objectivo. Há muito para se divulgar além fronteiras, Angola é rica e cheia de recursos, bastando para o efeito, andar pelo interior para notar
que há muito para oferecer, diz.
Inicialmente, o material era “ignorado internamente”, por causa da “mania” de se gostar o importado, a solução foi arranjar formas de colocar o material no mercado externo. Depois começou a inversão da marcha “somando vitórias”, e as solicitações
começaram a subir.
Lojas, hotéis, casas de eventos, cerimoniais de casamento aderiram aos objectos da Ilunga Art, no exterior, o acolhimento dos brindes ganhou uma aceitação incrível, e consequentemente a cultura e alguns lugares turísticos começaram a ganhar uma expectativa alta por parte dos turistas.
“Algumas vezes tivemos a oportunidade de ter o material em alguns países e foi maravilhosa a sensação. Muitos que os adquiriram foram pessoas que não vinham a Angola há muito tempo, então a emoção e nostalgia associada aos objectos fizeram com que nos sentíssemos muito felizes, e com a percepção de que estávamos
a fazer um bom trabalho”.

Investimento
Para o sucesso Rebeca Ilunga, inicialmente investiu aproximadamente usd 25 mil para a produção da primeira série de materiais, que incluiam entre outros os porta-chaves e o Pensador que muitos gostaram. A execução dos objectos conta com a participação de cinco colaboradores. Cada pensa custa em média kz 2 mil, preço praticado na generalidade
em lojas e revendedores.
O mérito dos artigos feitos mereceu definitivamente a participação da Ilunga Art em feiras do Turismo a nível local, e a atribuição de certificados
pela participação.
Recentemente, os produtos foram expostos na Bienal de Luanda, e a nível internacional, estabeleceu uma parceria com uma empresa do sector turístico.
Assim como tiveram a oportunidade de participar numa feira do turismo no Zimbabwe, onde os produtos tiveram uma aceitação surpreendente. Conclusão “Então podemos sim dizer que promovemos
o turismo cultural angolano”.
Rebeca conta existirem muitos projectos de promoção cultural e turística do país, contudo a falta de financiamento continua a ser o principal entrave.