A estratégia de financiamento ao desenvolvimento nacional adoptado pelo Governo prioriza, neste momento, a adopção de novos mecanismos e instrumentos de crédito sem que isso implique aumento do endividamento. Na abertura da conferência sobre financiamento ao desenvolvimento, realizada à margem da Filda/2019, o ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, disse que o Executivo tem de contar com outras modalidades de financiamento a fim de diminuir os actuais níveis de endividamento. Em seu entender, vai ser dada uma atenção especial às parcerias público - privadas como forma de financiamento das despesas públicas, capaz de promover o aumento da produção nacional e da competitividade dos produtos.

Deutche Bank
Manuel Nunes Júnior informou que uma linha de financiamento do Deutsche Bank estimada em mil milhões de dólares estará disponível para o crédito ao sector privado por via do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) com o apoio
do Ministério das Finanças.
O governante defendeu, além do acesso ao crédito, ser “muito importante” que os empresários nacionais estabeleçam relações de parcerias estratégicas com os empres]arios de outros países, por serem possuidores de know-how e de tecnologia avançada.
Esta opção, segundo lembrou, visa permitir ao país, rapidamente, ter acesso ao melhor de outros parceiros para proporcionar nos domínios empresariais e da tecnologia.
“Por isso, o investimento privado estrangeiro será sempre bem vindo de modo a aportar ao nosso país não só o capital financeiro, mas, sobretudo, know-how e tecnologia”, disse.
Reconheceu, por outro lado, a existência de energia eléctrica, água potável, vias de acesso, entre outras condições, como essenciais para que os investimentos do sector privado sejam rentáveis.
BAD entra nas contas
“Protocolo do Compacto Lusófono” é o nome de um acordo celebrado, esta semana, na Feira Internacional de Luanda entre Angola, Portugal e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). O mesmo vai apoiar as micro, pequenas e médias empresas angolanas.
Por Angola, assinou o documento o ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior. Por Portugal, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, e pelo BAD rubricou o acordo o seu
vice-presidente, Mateus Magala.
O protocolo tem o objectivo de mobilizar o sector privado e contribuir para o desenvolvimento sustentável. A sua execução vai ocorrer também noutros países africanos de língua portuguesa.
Na apresentação do documento, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal Teresa Ribeiro informou que o seu país vai disponibilizar 400 milhões de euros, em garantias, para a operacionalização do compacto lusófono.
O montante, segundo ela, dá ênfase ao engajamento de Portugal no cumprimento dos objectivos do documento.
“Este investimento vai funcionar e ter resultados seguros. É um protocolo pioneiro, razão pela qual vai ser seguido por outros espaços geolinguísticos”, declarou.
O vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Mateus Magala, considerou o protocolo importante para o futuro de Angola, onde o sector privado, embora diversificado, ainda
enfrenta grandes desafios.
“O sector privado é fundamental para Angola. São eles que criam emprego de qualidade, além de serem fonte de riqueza, de oportunidade para jovens e formador de uma parte fundamental da sociedade civil”, afirmou.
O acesso ao Projecto de Apoio ao Crédito (PAC) também foi dos temas na conferência que centralizou a atenção dos vários participantes.
Com ele foram ainda discutidos temas sobre os aceledores do desenvovimento económico no quadro da concepção de produtos e serviços através das entidades multilaterais.