GASPAR MICOLO & ISAQUE LOURENÇO

A Refriango, empresa nacional de produção de refrigerantes e vinho tinto, vai investir cerca de USD seis milhões em novas infra-estruturas de apoio ao seu ramo de negócio, até 2011, em seis províncias do país, para atender a demanda de procura, e facilitar o acesso e a distribuição dos seus produtos em todos os mercados locais.

Actualmente com centros de distribuição nas províncias de Luanda, Benguela (Lobito) e Huíla (Lubango), o desafio é implantar as mesmas infra-estruturas nas províncias de Huambo, Cabinda, Malange, Kuando-Kubango, Lunda-Norte e Zaire, projecto através do qual pensam responder as solicitações dos diferentes distribuidores dos produtos nestas localidades.

Aumentar a produção

Segundo o director geral da Luanday, empresa gestora da marca e da imagem e distribuição dos produtos Refriango, Artur Miranda, o objectivo é atingir cerca de 900 milhões de litros ano, contra os actuais 600 milhões, de formas a atenderem com a celeridade que se impõe a procura e consumo nacional das 18 marcas que a empresa produz, neste momento. Contudo, o gestor esclarece que 900 milhões de litros representariam a capacidade de produção estimada e não a de produção efectiva da fábrica, porquanto, para que tal aconteça a empresa tem de conseguir ultrapassar a carência de matéria-prima e insumos que se faz sentir no nosso mercado.

Estes projectos, de acordo com o gestor, vão também garantir novos postos de trabalhos directos e indirectos, além de aumentar a competitividade das marcas de produção nacional com as importadas que neste momento também aparecem em larga oferta internamente.

Artur Miranda recordou ainda que a Refriango representa na sua totalidade um investimento de mais de USD 22 milhões, desde o seu relançamento em 2004, e tem no refrigerante Blue, o produto de maior consumo, concentrando 50% das vendas, seguida da água mineral Pura e do sumo concentrado Nutry, com 30%, ficando as restantes divididas por outras marcas da empresa.

Outros investimentos

Desde que empreendeu em lançar novos produtos ao mercado, a Refriango desembolsou já cerca de USD 10 milhões, para sustentar as campanhas publicitárias. A julgar pela grandeza dos números apresentados, depreende-se que as facturações anuais da empresa, além de altas, representam um importante indicador de excelentes oportunidades de negócios na agro-indústria, actividade da qual está dependente o relançamento da indústria nacional, seja esta ligeira ou pesada, alimentar ou de outro género.

Refrigerante de Múcua

A tão conhecida Múcua angolana poderá passar a ser um dos sabores dos refrigerantes daquela empresa de bebidas. Segundo revelou, Artur Miranda, a existência de empresários angolanos na produção deste produto justifica aposta da Refriango. “A produção nacional deste produto é tão grande que poderá não haver necessidade para importação. Por isso, poderemos produzir normalmente um refrigerante com este sabor”, disse.

Além disto a empresa está igualmente a estudar o mercado para melhorar uma área até então pouco explorada. Trata-se da produção de bebidas alcoólicas. “Neste momento estamos a fazer um estudo profundo do mercado de bebidas alcoólicas, para ver qual é a possibilidade de produzirmos e melhorarmos algumas marcas. Estamos a olhar no mercado de produção de bebidas brancas”, revelou o gestor.

Internacionalização

O refrigerante “Blue” poderá ser o primeiro produto da empresa a chegar a países como Portugal e Moçambique. “Ao contrário do que se pensa, a Blue tem concentrado de fruta, diferentemente de outros refrigerantes que possuem aromatizante. Por isso, apesar de ser uma bebida barata e destinada ao mercado de massa, o produto possui qualidade para estar no mercado internacional”, assegura Artur Miranda, para quem a Liga de Futebol Portuguesa tornou-se no evento ideal para promover a marca naquele país e estabelecer parceiros para a distribuição local.

Outra aposta recai para Moçambique, de onde a empresa recebe muitas solicitações. O gestor afirma que a marca Blue é conhecida naquele país africano, através da publicidade que chega pelos canais televisivos. “Já estamos a negociar contratos para a distribuição da Blue em Moçambique, atendendo assim aos sucessivos pedidos dos moçambicanos que já conhecem o refrigerante”, avança, acrescentando que não descarta a hipótese de a distribuição se estender para outros países da região austral. Porém, reconhece, ainda existem inúmeras barreiras ao comércio regional que seguramente vão atrasar os seus desideratos.

“As taxas de importação dificultam o comércio regional. Acreditamos ser esta uma questão de vontade política dos Estados membros”, pelo que espera que as políticas de livre comércio que se quer estabelecer ao nível dos países da África Austral possam favorecer os objectivos de expansão dos produtos da empresa.

A Refriango é uma das entidades industriais no sector das bebidas com maior nível de desenvolvimento, quer no que respeita à tecnologia instalada, quer no que à qualidade e capacidade de produção diz respeito. Nesta altura, a empresa prevê o aumento da produção com um investimento global de USD 172 milhões. A estrutura accionista da empresa é dominada pela Buttzbach, SA, uma empresa de direito angolano, que detém 99% do capital e José Estêvão, um dos administradores e sócio, com apenas 1%.

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