ANTÓNIO EUGÉNIO E ISAQUE LOURENÇO

A 31ª reunião de peritos e ministros de energia da Comunidade de Desenvolvimento da África Subsaariana (SADC), realizada em Luanda, de 27 a 29 de Abril, instou o secretariado executivo a priorizar a coordenação de projectos de electricidade da região, a fim de responder a expectativa de crescimento do consumo de energia neste ano.

Uma vez ultrapassada a situação de retracção na procura e no consumo de energia registada o ano passado como resultado da crise económica e financeira mundial, que afectou grandemente o poder de compra e de consumo das populações nas diferentes economias, além de permitir uma produção maior que o consumo, 2010 é na visão dos ministros e especialistas da região o ano da retoma.

Para tal, a adopção de novas estratégias se afigura como fundamental para se reverter o quadro ainda deficiente de acesso as fontes energéticas na região austral do continente.

Estratégias

Na reunião de Luanda, os ministros adoptaram como estratégias, o estabelecimento de uma Rede Regional de Planificação Energética (REPN) e a adopção de medidas que demonstrem um maior empenho das empresas nacionais nos programas do sector.

A declaração final refere ainda que os governantes tomaram boa nota do facto de que pese embora existir um enorme potencial energético, como são os casos dos processos de biomassa, carvão, rios perenes propícios para a geração de electricidade e radiação solar suficiente para o uso foto voltaico e outras aplicações solares, a região enfrenta ainda grandes desafios de natureza estrutural, operacional, institucional e político que devem ser rapidamente ultrapassados.

Deste modo, e devido a insuficiência de capacidade, a SADC deverá concentrar a sua atenção na coordenação do sector de energia eléctrica, por considerar urgente o melhoramento da escassez de electricidade de que dispõe a região.

Segundo dados avançados no encontro, até ao momento, mais de 70% dos cerca de 250 milhões de habitantes da SADC continua a utilizar como fonte primária de energia a biomassa, situação agravada pela baixa média de acesso a electricidade na região que é estimada em pouco mais de 30%, com excepção das Maurícias e África do sul.

Para se ultrapassarem todos estes constrangimentos, os ministros decidiram reforçar os sectores nacionais de planificação energética com recursos financeiros e humanos que visam facilitar o desenvolvimento das actividades da rede regional de energia, responsável pelas projecções e informação dos índices de procura e oferta.

Uso de fontes mistas

Outra das alternativas, para a superação do deficiente processo de exploração, produção e distribuição de electricidade na região, apontada nesta 31ª reunião de ministros, foi a da utilização combinada de fontes mistas de energia, a fim de se produzir a quantidade necessária para o consumo na região, e criação de excedente para exportação.

O secretário executivo adjunto da SADC para a integração regional, João Samuel Caholo, disse que está é, aliás, a forma como muitos países desenvolvidos superaram o défice de fornecimento energético às suas populações.

“Em países desenvolvidos, como são os casos dos EUA, França, Inglaterra e outros tantos, há a combinação das diferentes fontes energéticas, como a solar, a eólica, as hídricas, e até os biocombustíveis, para a sua auto-suficiência. Acredito ser esta uma das vias que a SADC deverá adoptar para ultrapassar rapidamente o problema de electricidade”, disse.

A próxima reunião de peritos e ministros de energia da SADC terá lugar no Botswana, entre Março e Abril de 2011.

Angola mantém compromisso de superar o défice energético

A.E & I.L

A ministra de energia e águas, Emanuela Afonso Vieira Lopes, disse à margem da reunião de ministros da energia da SADC que o país vai continuar a investir nos seus programas de recuperação de infra-estruturas energéticas, linhas de transporte e de transformação como medida de superação do défice energético que o país ainda vive.

Emanuela Lopes garantiu, na ocasião, que os programas em curso no país, e que são levados a cabo, no âmbito da estratégia do executivo para o sector energético até 2012, sobretudo o de recuperação e construção de barragens, vão prosseguir, uma vez que as linhas de financiamento dos referidos projectos já foram aprovadas pelo Governo.

A governante garantiu, por esta via, que num curto espaço de tempo Angola poderá ultrapassar os actuais problemas do sector de energia.

Prevê-se que em 2012 entra em funcionamento a segunda central eléctrica de 520 MW (mega watts) em Cambambe II, projecto que junta-se deste modo ao programa de interconexão em Angola para 2010, através de três novas linhas de transmissão, nomeadamente a do Gove-Huambo, linha de 80 km, 220 Kv; Lucala-Uíge, com 212 km, 220 kv e Uige-Maquela do Zombo, linha de 191 km, com 220 kv. Para 2011 prevê-se ainda a entrada da linha de interconexão Gabela-Kileva de 224 km e 220 kv, que vai interconectar os sistemas Norte e Centro do país.

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