A maior parte dos trabalhadores dos supermercados de Luanda reclama pela descriminalização salarial por parte dos proprietários dos estabelecimentos comerciais na sua maioria detidos por estrangeiros.
O Jornal de Economia & Finanças apurou que a média de remuneração auferida para os angolanos que trabalham no serviço de atendimento público (como os caixas, repositores e colocados na área de stocks alimentares) está entre 25 e 35 mil kwanzas, incluindo o subsídio de transporte e alimentação, facto que tem deixado enfurecida a força de trabalho angolana. Segundo eles, contactados pelo jornal, alegam uma discriminação salarial em comparação com a de estrangeiros, que têm muito mais acima do normal estabelecido na Função Pública.
Muitos dizem que os salários que auferem nem chega para cobrir as despesas correntes como as necessidades básicas no caso da alimentação, vestuário e renda de casa, sem o compromisso do pagamento das propinas dos colégios dos filhos.
Acusam os estabelecimentos de não valorizarem os angolanos, na medida em que a facturação mensal daria para acréscimos de subsídios para alimentação e de transporte sem estar indexado ao salário base.

Histórias
Todos os dias por volta das 5 horas e meia da manhã, Albertina Caterça, levanta-se rumo ao supermercado Incordis (em Viana) onde desempenha a função de caixa. Desta feita, às 6h00 da manhã, tudo deve estar preparado para que se abram as portas ao público, como é exigido no estabelecimento comercial.
Albertina Caterça trabalha 48 horas semanais em troca de 30 mil kwanzas mensais. Já vai no terceiro “contrato” de seis meses e ainda não passou a efectiva. E não sabe quando passará no quadro efectivo do estabelecimento comercial ou ser dispensada como outras funcionárias que se encontram nesta situação.
A jovem salienta que se o futuro é uma incógnita, o presente é sempre igual. “Todos os dias, sem excepção, trabalho horas extras grátis, que me são impostas. O meu horário de saída é às 15h00, mas depois dessa hora, ainda tenho que executar várias tarefas obrigatórias, que levam entre 15 e 20 ou mesmo 60 minutos diariamente. Tenho que arrumar os cestos das compras e os artigos que os clientes deixam ficar na caixa ou guardar o dinheiro no cofre”, afirma.
Os dias de folga são outro problema como diz Martins Joaquim, que desempenha a função de repositor no supermercado Kero. Para perpetuar a falta de trabalhadores funcionários na loja são obrigados a fazer trabalhos excessivos por conta dos trabalhares que pediram demissão ou foram demitidos, e oferece assim todos os meses algumas horas do seu tempo.
“O mais stressante é no dia de folga, posso ser convocada para ir à loja para fazer inventário. Sou obrigada a ir, apesar de estar na minha folga, e quando falto por recomendação médica mesmo apresentando justificativo sou descontado. “, afirma Martins Joaquim.
No supermercado Shoprite a realidade é outra. Os trabalhadores ganham de acordo com a sua responsabilidade. Os repositores e caixas o salário base é de 35 mil e com alguns subsídios pode vir a chegar a 45 mil. E assim sendo, os funcionários logísticos consoante a sua responsabilidade.

Hora do almoço
Todos os entrevistados foram unânimes em dizer que mesmo chegando a hora de almoço obter autorização para refeição é difícil e são pressionados a serem rápidos a comer, o mesmo acontece quando se sentem mal no caixa fartam-se de pedir licença para ir a casa de banho e és obrigada como de costume a esperar tanto para satisfazer as necessidades fisiológicas.
O Jornal de Economia & Finanças tentou contactar algumas direcções dos supermercados de Luanda, mas sem sucesso.