ISAQUE LOURENÇO

A Samsung, empresa sul-coreana fabricante de equipamentos electrónicos e electrodomésticos, anunciou a semana passada, em Luanda, que para reforçar a presença dos seus produtos no mercado angolano investiu até ao momento cerca de USD 14 milhões.

Este valor, conforme divulgado em conferência de imprensa, foi aplicado em duas fases distintas, sendo que a primeira tranche, de USD sete milhões, serviu para a publicidade da marca, com grande incidência para o período da realização do Campeonato Africano de Futebol, que decorreu em Angola, nas cidades de Luanda, Cabinda, Benguela e Huíla, de 10 a 31 de Janeiro. A outra parte, já para a segunda fase, reserva-se também à intensificação da publicidade da marca, através de rádios, jornais, outdoors, televisão e outros meios de difusão massiva.

Neste âmbito, e para apresentar as novas propostas da marca no mercado nacional, o director estratégico da Samsung, Dong Pyo Jeon, ou simplesmente John Jeon, assegurou que a sua empresa está em Angola para marcar a diferença em relação às empresas concorrentes, porquanto aposta na oferta de produtos de alta qualidade tecnológica e que venham a servir um público bastante exigente.

De acordo com John Jeon, Angola enquadra-se nas estratégias de diversificação e conquista de novos mercados da Samsung.

“Angola consta dos países no mundo com um crescimento económico muito rápido, por isso a Samsung veio para este mercado com os seus produtos”, disse.

O director estratégico garantiu também que a presença da Samsung no país resulta de um estudo de mercado efectuado pela empresa e que os indicadores apontam para bons negócios diante das oportunidades que o país oferece. Disse ainda que esta é também a forma que consideram para responder aos apelos de parcerias fortes do Estado angolano visando a reconstrução e desenvolvimento do país.

Segundo a fonte, numa primeira fase vão apostar na criação de parecerias, através de distribuidores nacionais, para depois se pensar na fixação por meio de representação própria.

Milhões de telefones

Neste momento, os produtos da Samsung em Angola são distribuídos pela Hippor, que comercializa produtos electrónicos, e a Tensai, que cuida da venda dos electrodomésticos. A Hippor já anunciou que a estratégia com a Samsung é de aproveitar o crescimento da população e o potencial público usuário de telefones para nos próximos dois ou três anos disponibilizarem ao mercado mais de 30 milhões de telefones celulares, aparelhos estes que possam vir a servir as duas operadoras móveis de Angola.

Entre os novos produtos para lançamento constam o televisor LED em alta definição (HD), impressoras com laser, refrigeradores duplos, máquinas de lavar e fornos eléctricos.

De ressaltar que a Samsung produziu um refrigerador de ar condicionado em estilo vertical, considerado de tecnologia limpa, pois reúne num só aparelho a potência de outros 26, sem necessidade de fixar algum dos componentes em paredes ou outro tipo de estrutura.

John Jeon assegurou ser perspectiva da empresa garantir que sempre que um novo produto Samsung esteja a ser oficialmente lançado ao mercado, sem importar o país em que ocorre, Angola receba em tempo real o mesmo para satisfação dos clientes.

Postos de trabalho

Com os investimentos, a Samsung pensa garantir a criação de postos de trabalho directo e indirecto aos cidadãos nacionais, e uma das soluções já previstas no seu plano de negócios de médio e longo prazo é a instalação no país de uma linha de montagem dos seus produtos, o que evitaria a importação de todos os componentes de um aparelho, e garantiria a prestação de um serviço com um preço ajustado ao mercado e as condições locais.

John Jeon garante que a sua marca vai apostar, deste modo, num tratamento diferenciado do serviço que é prestado ao cliente.

“Vamos também com os nossos produtos procurar ganhar a preferência dos clientes angolanos, aliás estamos aqui porque respondemos os desafios do Governo deste país para desenvolvê-lo ”, afirma.

Negócios estáveis

Questionado sobre os negócios da Samsung no mercado mundial, sobretudo após a derrocada financeira que se bateu sobre as grandes multinacionais, John Jeon garantiu que a sua empresa também viveu a recessão do mercado, teve dificuldades em alguns sectores por causa do fraco poder de compra dos consumidores, mas por estar presente em vários países do mundo com diversos produtos, os resultados financeiros foram satisfatórios, uma vez considerado o ambiente de crise.

“Podemos garantir que a crise não nos afectou em termos de rendimentos, uma vez que a nossa presença em vários países nos ajuda a amparar os efeitos negativos de determinados mercados”, disse.

A Samsung está presente no mercado angolano desde 2004. Inicialmente com telefones e dispositivos de tecnologias de telecomunicações, tem actualmente toda a sua linha de electrodomésticos e outros aparelhos disponíveis no país, através de parcerias de representação.

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