A empresa Seara Alimentos, do grupo brasileiro JBS exporta mensalmente para o mercado angolano mais de quatro mil toneladas de produtos entre frangos, carnes, picanhas, moelas e salsichas, o que representa uma facturação acima dos três milhões de dólares/mês, segundo avançou à imprensa, o director do grupo para África, Eduardo Garcia.
O empresário que falava em Luanda, à margem da cerimonia de abertura do “dia da carne brasileira”, realçou que Angola é principal mercado do grupo cuja meta é cada vez mais exportar produtos com maior qualidade a nível internacional.
Dados que o JE teve acesso, Angola está entre os maiores importadores de carne em África e é primeiro importador de charque jerky beef em cerca de 64 por cento das importações avaliadas em 33,7 milhões de dólares. No que toca aos embutidos o mercado local absorve 51 por cento das importações, cerca de 73,5 milhões de dólares.
O país é também o segundo importador de carne bovina congelada em 6,3 por cento o que corresponde 77,7 milhões de dólares, segundo maior importador de carne suína em 23 por cento avaliada em 57,6 milhões de dólares e o terceiro importador de carne de frango o que corresponde 13 por cento num valor de 278 milhões de dólares.

Produção local
Sobre a possibilidade de o grupo vir a produzir carnes localmente, Eduardo Garcia, considerou o mercado angolano estratégico e com oportunidades de investimento, “mas o ambiente político e cambial que se vive ainda pesa muito nas nossas análises de investimento, sobretudo, nesta altura de crise”, referiu.
Na ocasião, o chefe do sector comercial da embaixada do Brasil em Angola, Marcelo Araújo, reconheceu que os empresários brasileiros estão ciente do interesse em apostar na produção interna, “mas é fundamental que a melhoria do ambiente de negócios esteja assegurada e que permita o repatriamento dos dividendos sem sobressaltos”.
Considerou que as reformas económicas em curso no país são positivas e vão permitir que haja mais capital estrangeiro, acrescentado ser urgente a criação de condições que facilitam a iniciativa privada em vários domínios da actividade económica.

Parceria estratégica
Na ocasião, o embaixador do Brasil em Angola, Paulino de Carvalho Neto, reafirmou a parceria estratégica existentes entre dos dois países nos vários sectores.
O diplomata garantiu que agronegócio brasileiro não oferece apenas a melhor opção a menores custos para o consumidor angolano, “mas é também fonte de investimentos produtivos”. No seu entender, cada vez mais empresários brasileiros dedicam atenção ao potencial da agropecuária angolana.
“A indústria exportadora de carnes também produz e exporta material genético e animais vivos selecionados, que poderão contribuir para alavancar a competitividade da pecuária, da suinocultura e da avicultura em Angola”, assegurou.
Indicou ainda que o Brasil é hoje o maior exportador de carne bovina do mundo, tendo registado em 2018 um recorde mundial no volume de carne bovina exportada em 1,64 milhões de toneladas, o que representou um crescimento de 11 por cento em relação a 2017.
O evento foi organizado com apoio do Departamento de Promoção do Agronegócio do Ministério das Relações Exteriores, da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), assim como das empresas exportadoras brasileiras JBS e BRF.