Apesar dos progressos em algumas áreas de negócio na relação comercial entre Angola e os Estados Unidos da América (EUA), ainda existem alguns sectores com graves problemas, segundo avançou, a embaixadora dos EUA, Nina Fite.
Acrescentou que o sector privado americano tem uma presença significativa local, mas a ausência de bancos correspondentes aumenta o já elevado custo da realização de negócios no país.
“Isto constitui um obstáculo ao país a entrada de mais investimento estrangeiro directo e de comércio. Embora os governos procuram criar um clima favorável ao retorno dos bancos correspondentes americanos, não tenhamos ilusões sobre a complexidade de tarefas por realizar”, aclarou.
Nina Fite discursava em Luanda, no âmbito das comemorações dos 25 anos de relações bilaterais entre Angola e EUA, organizado pela Câmara de Comércio EUA-Angola (USACC).
A diplomata americana explicou que tem participado em vários encontros com empresas americanas e angolanas no sentido de entender melhor o ambiente de negócios e os interesses dos investidores no qual tem recebido várias sugestões de como melhorar o comércio e investimento.

Qualidade dos produtos
Revelou ainda que o seu país irá trabalhar em breve em conjunto com o Ministério da Indústria e com o Instituto Angolano de Normalização e Qualidade (IANORQ) sobre padrões técnicos e a sua conformidade, no apoio às metas de diversificação da economia, na melhoria da qualidade e segurança dos produtos.

Diversificar as exportações
No capítulo das exportações, o secretário de Estado do Comércio, Amadeu Leitão Nunes, mostrou-se, na ocasião, preocupado com o índice de concentração das exportações entre os dois Estados que permanece muito elevado com o petróleo no topo dos produtos eleitos,
seguido dos diamantes.
Sublinhou que existe um conjunto de clusters prioritários determinados a nível nacional que servirão para alavancar o processo de alargamento da base das exportações, nomeadamente, os recursos minerais, alimentação e agro-indústria, turismo e lazer, transporte, logística e outros.
Segundo avançou, o país tem em curso o processo de ractificação do acordo sobre a facilitação do comércio da Organização Mundial do Comércio (OMC), um passo relevante e atractivo para novos investimentos.
“O sector dos serviços detém um potencial económico fabuloso e tem se revelado preponderante para um crescimento assente em actividades económicas diversificadas”, sublinhou o governante.

Volume de negócios
Amadeu Nunes realçou que não se pode “negligenciar” que as trocas comerciais entre Angola e os EUA atingiram 3,4 mil milhões de dólares em 2017, sendo que o país exportou produtos avaliados em 2,6 mil milhões de dólares e os EUA cerca de 800 milhões de dólares.
Na ocasião, a presidente da Usacc referiu que as relações existentes entre os dois países tornam-se gradualmente mais profundas e eficazes, contribuindo não só para o crescimento de Angola, mas também para a paz, estabilidade, cooperação e o desenvolvimento dos países da SADC.
Em 25 anos, as relações bilaterais evoluiram para uma parceria estratégica assente em instrumentos de cooperação em sectores como a educação, saúde, segurança e comércio.