Uma delegação da Comissão Económica do Conselho de Ministros visitou, há dias, os municípios do Cuvango e Lubango, tendo constatado os vários projectos e programas agro-industriais, além das dificuldades que os empresários vivem na sua actividade. No final da visita, o secretário de Estado da Economia Sérgio Santos, garantiu, em entrevista ao JE, que a província da Huíla tem “grandes” perspectivas de crescimento.

Depois dessa visita de constatação à Huíla a alguns empreedimentos de impacto económico ligados ao sector produtivo o que fica como rescaldo?
Depois de constatar vários programas e projectos implementados e a funcionarem em pleno, temos a certeza que o sector agrícola e industrial, aqui da Huíla, têm grande perspectiva de crescimento. Temos empreendimentos que estão a crescer quer no domínio da produção do grão quer na produção da carne como também, temos um grande complexo industrial que está muito próximo da sua conclusão. Agora conseguimos perceber que temos muito trabalho, mas estamos no caminho do crescimento pleno no sector não petrolífero.

Quais as dificuldades encontradas e levantadas pelos impulsionadores dessas iniciativas?
Todas as dificuldades são conjunturais em todos os investimentos e estamos a viver o mesmo. Elas são normais e sentem-se até nas infra-estruturas. A questão tem aver com a dificuldade no acesso à água, à energia e também aquelas que têm a ver com o acesso ao financiamento para apoiar as actividades que os empresários estão a desenvolver. Na questão da energia, temos boas perspectivas para a província da Huíla, não só com os investimentos que são possíveis fazer em termos de ligação entre a energia que é gerada no Gove, província do Huambo, como também a ligação à Lauca e as outras fontes geradoras de energia. Também no domínio da distribuição dos investimentos que se vão fazer nomeadamente nas subestações que estão previstas e que vão ligar o Gove à província da huíla. Temos também no domínio da água boas perspectivas e no domínio do financiamento, há a certeza que o programa de apoio ao crédito poderá ser activado e vai ajudar esses empresários a completarem os investimentos.

Como os programas já existentes podem beneficiar directamente e impactar o desenvolvimento local e do país?
Vamos ter nestes investimentos que andamos a identificar uma criação de cerca de 3 mil empregos directos. Vamos ter também um incentivo muito grande à produção de matérias-primas, como o grão e também na produção de carne, fundamentalmente na carne bovina e sua transformação, como vimos as acções nesta direcção na fazenda da Mumba. Reconhecemos e temos a certeza que vamos ter também o processo de transformados da carne bovina efectiva. Teremos ainda uma indústria muito intensa no sector das bebidas que vai provocar um crescimento enorme no lado da agricultura em si.

O que se vai fazer na Huíla?
Portanto, o que se vai fazer aqui na Huíla, nestes três grandes domínios, do grão, das carnes, indústrias de bebidas e alimentação, tem-se a certeza que vai provocar um movimento muito grande, não só na Huíla, mas em todo o país, porque a cadeia de valores vai necessitar de muitos produtores que vão fornecer estas indústrias. Há a perspectiva de criação de vários empregos e depois, logicamente, estamos a falar do crescimento em termos de rendimento das famílias, o que vai permitir também a arrecadação de receitas por parte do Estado.

No tocante às dificuldades financeiras, está previstao o reforço do financiamento em alguns casos particulares constatados?
Qualquer um desses investimentos tem a capacidade de pagar os empréstimos numa perspectiva de 5 a 7 anos. Portanto, os mesmos apresentam-se como um bom negócio para os bancos. Os bancos ao invés de manterem o dinheiro parado ou aplicado noutras fontes, podem, e nisso que se apela, através do programa de apoio ao crédito, direccionar os seus recursos disponíveis para os empresários.

E como reagem os empresários?
Não estamos a falar de empréstimos que acontecem para investimentos novos ou que estão a iniciar, aqui há muita coisa já feita, porque os investidores aqui já avançaram com muitos recursos e estamos a falar na ordem de mais de 50 milhões de dólares que os próprios empresários já investiram em qualquer uma destas unidades que visitamos. Agora é necessário logicamente que a banca apoie e temos a certeza que vai ser isso que irá acontecer e temos a certeza também que até 2021 esses investimentos comecem já a gerar recursos financeiros, porque essas fábricas vão abrir muito brevemente o mais tardar em 2021, e a produção de carne que vimos na Mumba tem grande perspectiva de estar activa. O que vimos na Agrikuvango temos muita certeza também que vamos ter uma produção intensa de grão já a partir de 2020 e 2021.

Neste sentido como é que o Executivo pretende incentivar os empresários locais destes ramos do sector produtivo a ajudarem a reduzirem as importações?
O sector produtivo tem agora um calendário muito apertado, concreto para acompanhar os cronogramas de execução desses investimentos e depois de regular o mercado e promover esses produtos que vão ser feitos aqui em Angola tenham prioridade face à imploração.

Conheça
o prodesi

Os empresários ligados à cadeia produtiva são chamados a aderir ao Programa de Apoio ao Crédito (PAC), que tem disponíveis mais de 848 mil milhões de kwanzas, para promoção da produção nacional, com vista a redução das importações. É um programa de financiamento inserido no Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substuição de Importações (PRODESI),
50 mil milhões de kwanzas é o montante de financiamento já aprovado por vários bancos, o que perfaz uma taxa na ordem dos 5%, valor considerado muito baixo. Este mês, estavam aprovados 14  projectos, sendo que as províncias do Cuanza Sul e  Luanda lideram a lista com quatro projectos cada, seguidas da Huíla com dois e um para Malanje, Uíge, Huíla, Zaire e Namibe. Dos projectos aprovados constam os ligados à montagem de moagem de trigo, fábrica de reciclagem de papel, cultura de arroz, mandioca e frutas, unidade de processamento de carne, suinicultura, produção de frutos secos, manga e hortícolas, unidade de produção de sabão azul e sabonete, cultura de milho, feijão e batata. A necessidade de parcerias fortes para fazer crescer o volume do crédito concedido pela banca, uma vez que o Estado começa a deixar espaço para que o sector privado avance e desempenhe o seu papel, consta das prioridades definidas. A ideia é “quebrar a letargia” que se verifica, visto que o dinheiro existe e deve ser evitado utilizar em gastos avultados para a importação de bens, muitos da cesta básica, que o país é capaz de produzir. Os bancos dispõem de processos próprios de uma instituição financeira preparada para a cedência de crédito, pelo que este processo será simplificado. A idé aé que o fomento da produção nacional seja baseado em cinco medidas, a saber a melhoria do ambiente de negócios, a atribuição de incentivos fiscais, a melhoria das infra-estruturas de apoio à produção, o acesso do mercado de forma prioritária, capacitar e qualificar em matéria de gestão e operações, além da facilitação do acesso ao crédito. As mais recentes indicações apontam para uma despesa, no período de 10 meses, isto é de Janeiro a Outubro deste ano, de 1,3 mil milhões de dólares para importar bens da cesta básica.