O portal angolano de internet (www.angolacarro.com) estabeleceu uma parceria estratégica com a empresa norte-americana Globexx para fornecimento de peças e sobressalentes de viaturas importadas, sobretudo carros de luxo de origem norte-americana.

Em entrevista ao JE, o brasileiro Adairton Teixeira, director de marketing da Globexx North America Inc., afirmou que o site tem uma grande penetração no mercado angolano onde a companhia americana pretende apostar para atender à demanda dos internautas que possuem carros americanos, mas que encontram grandes dificuldades para adquirir as peças em casos de avaria ou manutenção da viatura.

Segundo o responsável, o facto de a Globexx estar localizada no maior mercado mundial de automóveis e peças garantirá vantagens recíprocas para as duas empresas e os clientes angolanos. “Dessa forma, a ideia de disponibilizar uma maior abrangência no atendimento das demandas por peças e acessórios é uma garantia”, disse.

Na avaliação que fez ao mercado automóvel do país, Adairton Teixeira afirmou que “Angola é um mercado vigoroso e muito atractivo”. Entretanto, acrescentou, a origem dos veículos é muito variada, o que transforma a manutenção dos veículos num problema gravíssimo. Foi neste contexto de mercado que surgiu a parceria entre a Globexx e o site “angolacarro”.

Dificuldades
Questionado sobre as dificuldades de realizar comércio electrónico num mercado onde a penetração da internet é ainda incipiente, o gestor referiu que os clientes angolanos ainda são um pouco desconfiados em relação às compras online.

O nosso principal desafio é convencer o internauta angolano a preencher o formulário como solicitado (preencher totalmente). Na maior parte das vezes, os clientes apenas escrevem: “quero peças”. “Esse tipo de postura está ligado ainda à falta de hábito de comprar pela Internet, mas torna o processo infinitamente mais trabalhoso e demorado, além disso, ainda existe em alguns casos a ideia de que as empresas podem desaparecer com o dinheiro do comprador sem enviar o pedido”, disse.

Mais adiante, acrescentou que não há motivo para desconfiança por se tratar de uma empresa legalmente estabelecida. “Quando enviamos uma factura, nela, são encontrados, nome do fornecedor, endereço, telefone, banco e conta para uma transferência internacional de banco para banco, via contrato de câmbio, o que torna impossível qualquer ilegalidade”, referiu. Entretanto, Adairton Teixeira mostrou-se optimista com a aposta no mercado angolano.

Outra dificuldade indicada pela fonte tem a ver com detalhes técnicos. Segundo ele, existem veículos iguais em Angola com famílias de chassis diferentes e que usam peças totalmente diferentes.

Em Angola, encontra-se um grande número de famílias de numeração de chassis, o que torna a procura por uma peça numa busca estressante, senão mesmo impossível de ser concretizada tendo em conta que algumas viaturas importadas pelos angolanos são de origem legalmente duvidosa.

Projectos para o país
A Globexx pretende disponibilizar um dos seus engenheiros electrónicos para realizar um projecto social em prol dos empreendedores angolanos no ramo das tecnologias. A iniciativa consiste na oferta de um curso em Angola para a capacitação de técnicos de reparação de telefones celulares, tablets, instalação de câmaras de vigilância, programação digital de câmaras para que os ambientes sejam visualizados em qualquer parte do mundo.

A iniciativa deste engenheiro pretende oferecer um pacote para pequenos empreendedores que, após serem treinados em Angola, receberão certificados desta escola americana, pelo que poderão abrir os seus negócios de reparação de tais equipamentos com o suporte da empresa nos Estados Unidos para fornecimento de peças e reciclagem à distância por Skype.

Na visão de Adairton Teixeira, esta iniciativa deverá gerar muito emprego e renda para muitos empreendedores, além de ajudar a resolver a gigantesca demanda de celulares e tablets avariados em Angola, que se encontram sem nenhuma hipótese de serem reparados por falta de mão-de-obra e de peças. A ideia será um curso de uma semana, oito horas por dia, com exercícios práticos a partir do primeiro dia de aulas.