O presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Francisco de Lemos Maria, disse que a concessionária nacional vai continuar a trabalhar para que no próximo ano os níveis de produção de petróleo atinjam a cifra de dois milhões de barris diariamente. O gestor fez essa afirmação em Luanda, no pretérito dia 25, durante a conferência de imprensa que a Sonangol organiza todos os anos para apresentar o balanço da sua actividade, no auge das celebrações do seu aniversário.

“A meta mantém-se. Os investimentos na bacia do Kwanza e a entrada em breve de dois novos campos petrolíferos dão-nos garantias de que iremos concretizar esse objectivo no próximo ano”, disse.

Francisco de Lemos revelou que a produção de 2013 registou um ligeiro decréscimo de 1,1 por cento se comparada com o volume de petróleo produzido em 2012, altura em que se registou um aumento de 4,1. No ano passado, a produção total foi de 1,7 milhões de barris por dia, valor que representa uma diminuição nas receitas na ordem de 3.687 milhões de dólares em relação ao ano anterior.

O gestor explicou, na ocasião, que esse desempenho negativo da Sonangol em 2013 se deveu essencialmente à baixa de produção
nos blocos zero, 15, 17 e 18, operados pelas petrolíferas Chevron, Esso, Total e BP, respectivamente. Mais adiante, Francisco de Lemos disse que a empresa, apesar da queda na produção, buscou compensações financeiras noutras áreas de negócio não nucleares.

Receitas
Em termos de receitas globais, a Sonangol facturou no ano transacto 44,2 mil milhões de dólares, menos 10 por cento do que as vendas relativo ao ano anterior. Neste período, registou um lucro de 2,9 mil milhões de dólares (veja tabela). A receita acima mencionada foi inferior em 595 milhões de dólares em relação a 2012. “Este resultado é consequência do efeito combinado da redução da produção e da redução do preço de venda do petróleo”, disse.

A redução no preço do barril de combustível é apontada como um dos factores da diminuição das receitas. “Os preços de combustíveis mantiveram-se inalterados conforme o ajustamento efectuado em Outubro de 2010”, referiu Francisco de Lemos, acrescentando que “em 2013 o preço médio de venda de petróleo bruto da Sonangol fixou-se em 107 dólares, contra os 111 dólares de 2012, uma redução em 3,6 por cento.

O preço de referência orçamental segundo o OGE foi de 96 dólares por barril contra os 77 dólares de 2012”.
Entretanto, esse efeito combinado foi salvaguardado pela compensação financeira noutros segmentos, tais como o da refinação, transporte e logística, em que se obteve um rendimento adicional de 704 milhões de dólares em virtude do aumento da subvenção dos subsídios ao preço do combustível.

No sector da pesquisa e produção, a entrada em funcionamento do bloco 31 contribuiu positivamente para tal compensação, porquanto permitiu uma receita adicional de um milhão e 669 milhões de dólares.

Em 2013, a Sonangol EP, através da refinaria de Luanda, produziu dois milhões e 83 mil toneladas de produtos refinados diversos, com predominância da Nafta, Fuel e petróleo iluminante, o que representou um acréscimo de 11 por cento em relação à produção obtida em 2012.

Exportações
Em virtude da oferta interna da refinaria atender apenas 15 por cento das necessidades de consumo de combustíveis, a Sonangol importou 4,5 milhões de toneladas de produtos refinados, sendo que os produtos mais importados foram o gasóleo (três milhões e 226 mil toneladas) e a gasolina com 1,5 milhões de toneladas.

Na actividade externa, a Sonangol exportou mais de 285 milhões de barris de petróleo que foram inferiores em 28 milhões 178 mil 278 barris em relação a 2012, facto que teve impacto negativo forte na arrecadação de receitas da Sonangol. “Registamos também exportação de gases e produtos refinados, mas com diminuição no propano em 50 por cento, gás butano 51 por cento, mas houve aumento das exportações de nafta” referiu Francisco de Lemos.

A Sonangol vendeu internamente 5 milhões e 50 mil toneladas de produtos refinados diversos, que representou uma diminuição em cerca de 19 por cento. Os produtos mais vendidos foram o gás butano, gasolina (as vendas deste produtos foi de inferior em 25 por cento) mas, houve aumento na venda de Jet na ordem de 5, assim como aumentou a venda do gasóleo em oito. Entretanto, o produto menos vendido foi o petróleo iluminante que teve uma redução de 40 por cento.

Questionado sobre as vendas da SoniP em 2013, Francisco de Lemos afirmou que essa empresa concluiu a construção de 3.370 unidades, contra as 27.758 de 2012, tendo comercializado 24.904 unidades, contra as 10.500 vendidas em 2012. Quanto aos investimentos industriais, houve um incremento no numero de unidades fabris em funcionamento na zona económica especial, que passou de 17 unidades para 28.