A petrolífera nacional dispõe de sessenta postos de abastecimento doméstico além de agentes distribuidores e retalhistas que asseguram a comercialização

Já lá vão os anos quando, nos períodos de aproximação da quadra festiva, o corre-corre para a aquisição do gás de cozinha (butano) fazia parte das grandes preocupações das famílias. Graças à introdução de novos mecanismos no fornecimento, engarrafamento, distribuição e comercialização do gás de cozinha, o mercado angolano tem vindo a melhorar consideravelmente. Nesta cadeia, a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (SONANGOL) tem desempenhado um papel preponderante. Para este ano, a empresa estatal projectou um plano “extra” para o abastecimento deste importante produto de consumo doméstico, durante a quadra festiva, que consiste no aumento de enchimento do número de garrafas por dia.

Para que este plano atinja os seus objectivos, a Sonangol instruiu os seus agentes distribuidores e retalhistas espalhados por todas as províncias do país para servirem da melhor forma possível as populações. Além destes agentes revendedores de gás de cozinha, a empresa dispõe de 60 postos de abastecimento de combustíveis onde se procede à comercialização do produto. Segundo o director do Gabinete de Comunicação e Imagem da Sonangol, João Rosa Santos, este ano não haverá problemas no fornecimento e abastecimento, pois que, em termos de produção e distribuição, a firma tem tudo preparado para fazer face às solicitações.

A fonte assegurou que o país produz gás butano suficiente para o uso doméstico, tendo destacado que em Angola se consome em média 16 mil a 25 mil toneladas por mês, em botijas de seis quilogramas, 12 e 51. Actualmente, a empresa tem investido na construção de instalações de grandes dimensões, mini-instalações e centrais de armazenagem de gás, projectos que visam melhorar a rede de armazenagem e distribuição que já começam a dar resultados positivos com o abastecimento ininterrupto deste produto.

Quanto aos preços, Rosa Santos destacou que os mesmos vão manter-se, já que o gás é um produto subsidiado pelo Estado angolano, pelo que o seu preço oficial não pode ser alterado sem a anuência das entidades afins.

Desafios

No quadro da nova política de gestão que a petrolífera nacional está a levar a cabo até ao ano de 2015, o processo de fornecimento de gás em edifícios é um dos grandes projectos traçados. Esta actividade é pioneira no país e pouco divulgada. No entanto, a empresa já tem vindo a oferecer no mercado este serviço, já que dispõe de condições técnicas para o efeito. A Sonangol reserva para este segmento entidades com idoneidade comprovada, habilidade e autorização específica. As construtoras também são chamadas a cooperar no processo de canalização. Segundo especialistas, o uso do gás canalizado é uma actividade de segurança pública.

Competitividade

Sobre a concorrência no mercado de comercialização e distribuição de gás de cozinha, os responsáveis da petrolífera angolana defendem que as empresas privadas que têm surgido desempenham o um papel preponderante, tendo destacado que a concorrência traz sempre consigo um impulso de competição de forma a não se “acomodar”, o que também vai permitir melhorar os processos produtivos e, consequentemente, os serviços.

Angola LNG

No âmbito do projecto de Gás Natural Liquefeito (Angola LNG), em construção no município petrolífero do Soyo (Zaire), a Sonangol tem uma participação de 22,8 por cento do capital global. Apesar de o gás que será produzido estar destinado essencialmente à exportação, no quadro da sua participação neste projecto, a petrolífera angolana criou a subsidiária Sonangol Gás Natural Ltd, que terá a missão de desenvolver esta actividade dentro do grupo, a qual compreende pesquisar, desenvolver, produzir, armazenar, transportar e comercializar este importante hidrocarboneto e os seus derivados. Com o arranque agendado para 2012, o projecto fornecerá até 125 milhões de metros cúbicos diários de gás natural à Sonangol para uso doméstico.

De recordar que a fábrica de gás natural está orçada em 9 mil milhões de dólares norte-americanos, foi concebida para processar 1,1 mil milhão de pés cúbicos de gás natural associado por dia e produzirá por ano cerca de 5,2 milhões de toneladas de LNG e de produtos relacionados. Vale referir que além da Sonangol fazem parte deste projecto as petrolíferas norte-americana Chevron, com 36,4 por cento, e as suas congéneres britânica BP, a italiana ENI e a francesa Total. Cada uma conta com 13,6 por cento, completando assim o grupo de accionistas.

Três empresas comercializam e distribuem gás de cozinha no mercado angolano, designadamente a Saigas, a Gastem e a estatal Sonangol, que é a única com presença em todo o território nacional.

Leia mais sobre outras notícias na edição impressa do Jornal de Economia & Finanças desta semana, já nas bancas