O Estado prevê dentro de dois meses subsidiar os combustíveis em 45 por cento , uma medida que vai galvanizar a produção interna de alimentos, revelaram alguns agricultores contactados pelo JE.
Por exemplo, o produtor Mário Calia considera que a medida vai impulsionar e incentivar a produção interna e reduzir simultaneamente em grande escala a importação de alimentos.
Segundo a fonte, o custo elevado do combustível tem comprometido as “aspirações” de muitos produtores, que tiveram certas limitações para trabalhar grandes extensões de terras aráveis.
Proprietário de cerca de 3 mil hectares de terra na comuna da Funda, no município do Cacuaco, em Luanda, contou que durante muito tempo cingiu-se a cultivar hortícolas para poupar os parcos recursos.
“Agora que o combustível vai ser subsidiado, tenho o programa de plantar muito milho, inclusive ensaiar outras culturas para aproveitar o potencial dos nossos solos”, frisou.
Para o produtor do Huambo, Carlos Alberto, proprietário de mais de 10 hectares, afirmou que depois dos fertilizantes que tinham custos muito elevados “felizmente um problema já resolvido” o empecilho a seguir era o custo dos combustíveis.
“Acho que estou em condições de alargar a minha produção, e acredito que vou colher muitas hortícolas, frutas, batata e garantidamente a importação vai reduzir sem dúvida alguma. Vou multiplicar a produção”, frisou.

Reduzir a importação
Acrescentou a necessidade de se limitar a dependência do petróleo, já que para ele, a agricultura é muito importante para o desenvolvimento económico e social.
“Há centenas de milhões de dólares gastos com a importação de frangos, de vaca e de porcos, quando localmente se pode produzir tudo isso, sempre a pensar no petróleo”, disse.
Carlos Alberto revela que vai incrementar a produção de cereais, trigo, bastante consumido no mercado nacional e contribuir para a redução do preço deste alimento.
Com longa tradição familiar na produção agrícola, cita exemplos de grande parte das fazendas que possuem grandes extensões de terras mas para serem trabalhadas precisam de combustível.
Revela ainda que o custo elevado do combustível tem reflectido negativamente no custo final da produção, assim como na especulação dos preços no mercado interno.

Medida acertada
O engenheiro agrónomo Feliciano Samutamo aponta que a medida tomada pelo Executivo foi acertada, tendo em conta as constantes queixas dos agricultores em preparar a terra por causa de combustíveis.
Nesta esteira, recorda que num passado recente, o Ministério da Agricultura e Floresta tinha um sector que respondia pela mecanização, porém foi um agente ineficaz.
“A medida é bem tomada. Há muita gente com vontade de cultivar, mas os custos dos combustíveis são desencorajadores. Agora vamos ver muitos produtores a enveredarem para o agro-negócio”, finalizou.
Com esta medida, a estrutura de custos na agricultura poderá baixar entre 20 e 25 por cento nos combustíveis, bem como 15 e 25 nos fertilizantes.

Fomento da produtividade
No domínio do fomento à produção agrícola, o ano agrícola 2017/2018, foi marcado por um conjunto de factores positivos que, de forma geral, contribuíram para o aumento da produtividade e da produção.
Neste sentido, o Executivo aprovou a estratégia para o aumento da oferta de fertilizantes, de sementes melhoradas de alta produtividade, de charruas de tracção animal e o programa de correcção da acidez dos solos.
Esta acção do Executivo veio contribuir decisivamente para uma maior disponibilidade de insumos no país, tendo permitido a redução do preço de fertilizantes de 35 mil kwanzas para 5 mil, das charruas de tracção animal de 50 mil para 10 mil e o aumento das áreas de correcção de solo nas províncias do Huambo, Bié, Huíla, Cuanza Sul e Benguela.