Para evitar contrair dívidas com as empresas de prestação de serviços e criar um suporte financeiro que possa permitir a companhia contribuir para o Orçamento Geral do Estado (OGE), a Transportadora Aérea Angolana (TAAG) vai implementar novos métodos de trabalho e aplicar medidas que possam permitir o aumento de receitas e construção de novas infra-estruturas.

Esta pretensão foi avançada pelo coordenador adjunto da Comissão de Reestruturação da companhia, Rui Carreira, numa entrevista que concedeu ao JE.

Segundo ele, uma das medidas será a modernização da frota de longo curso, através da aquisição de novas aeronaves para atingir outros pontos do mundo, para onde a firma ainda não voa, bem como alcançar os 30 aeroportos requalificados pelo Governo.

Outra medida em curso para uma situação financeira estável passa pela criação de mecanismos de gestão e controlo que permitirão à TAAG a eliminação das dívidas com as empresas prestadoras de serviços como são os casos da Enana, Sonangol e a Maboque.

Novo hangar

A comissão de reestruturação tem perspectivado para este ano a construção de um novo armazém de logística e um novo hangar, com capacidade para acolher aviões de grande porte.

“ Vamos investir na construção da novas infra-estruturas, cujos desenhos arquitectónicos estamos a estudar”, disse.

Indicou ainda que para a efectivação do programa, a TAAG vai lançar, brevemente, um concurso público para a adjudicação da obra e o empreendimento será equipado com meios modernos contra incêndios e outros factores que possam colocar em perigo os serviços da transportadora.

Qualidade e excelência

Um dos grandes desafios colocados à comissão de gestão da TAAG foi o de devolver à companhia a mística, potenciando a empresa para que possa concorrer em iguais circunstâncias com outras companhias do mundo.

Rui Carreira adianta que para atingirem estes resultados a aposta foi a prestação de serviço com base na excelência, além da superação profissional do pessoal.

“A Comissão de Gestão apostou na superação técnica dos seus quadros e na oferta de um serviço de qualidade com base na excelência”, disse.

Para responder a este quadro e de acordo com a fonte, a comissão investiu durante o ano passado USD 2 milhões para a promoção de 90 acções formativas que contemplaram 1.800 trabalhadores.

Já para este ano, conforme adianta, pretende-se que o grupo a formar seja superior em relação ao do ano passado, tendo mesmo lembrado que os ciclos de formação têm incidido em todas as áreas que intervêm na cadeia produtiva da empresa, como técnica e administrativa, incluindo o cockpit.

O gestor frisou que ainda que termine o prazo limite da comissão de reestruturação, a TAAG tem de continuar a ter reestruturações internas, pelo facto de a aviação ser um processo dinâmico.

“Pretendemos que a TAAG consiga uma credibilidade técnica perante as instituições aeronáuticas internacionais. Para isso, tem de continuar a trabalhar, de acordo com os manuais, além de actualizá-los constantemente”, afirma.

De acordo com Rui Carreira, estas medidas, quando frequentes, vão evitar problemas com instituições internacionais ligadas à aviação.

Renovação de quadros

Para um rendimento aceitável, a TAAG pretende reduzir o número de trabalhadores, actualmente de mais de quatro mil. Para está empreitada, a comissão de reestruturação traçou um programa denominado renovação de quadros, que consiste numa negociação directa entre a companhia e os trabalhadores de idade avançada, convidados a optarem por uma interrupção voluntária. O processo já contou, até ao momento, com a aderência de 800 trabalhadores.

“Nós dissemos que há gente que não faz nada com o redimensionamento da empresa. Há pessoas que não fazem nada, e com as novas tecnologias há trabalhadores que devem ser dispensados. O processo é voluntário e não há despedimentos”.

Evitar penalizações

A TAAG, segundo a fonte já aderiu ao programa internacional de redução de dióxido de carbono (CO2) elaborado pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). Desta forma, a companhia de bandeira nacional vai evitar multas derivadas da violação deste acordo.

“Vamos participar nas conferências e evitar gastos não planificados. A outra meta é a adesão ao convénio da IATA, sob pena de pagarmos somas avultadas quando quiséssemos voar no espaço aéreo europeu”, disse, tendo acrescentado que a adesão da TAAG a este processo se justifica, uma vez que a empresa persegue a modernização dos seus serviços.

“Nós aderimos porque queremos modernizar a nossa companhia”, finaliza.

BOX

Em Novembro do ano passado, um incêndio de grandes proporções deflagrou nos armazéns da TAAG, localizados no aeroporto 4 de Fevereiro. Resultante deste incidente, a transportadora aérea angolana teve um prejuízo financeiro avaliado em USD 60 milhões.

O coordenador adjunto da comissão de reestruturação, Rui Carreira, disse que a companhia continua a perder diariamente somas elevadas de dinheiro para a compra de peças e sobressalentes para as aeronaves. Tudo porque o stock de peças e sobressalentes que a TAAG possuía foi todo consumido no primeiro incêndio de grandes proporções que a companhia sofreu.

Rui Carreira disse que, após o incêndio, até uma simples peça de reposição passou a ser adquirida fora do país, facto que tem obrigado a obrigado a companhia ao cancelamento de voos, resultando daí custos adicionais à empresa.