ANTÓNIO EUGÉNIO

As trocas comerciais entre Angola e o Brasil atingiram, entre Janeiro e Outubro deste ano, a cifra de USD 1,2 mil milhões, sendo que o país africano comprou do mercado brasileiro bens avaliados em USD 1,1 mil milhões, 15,5% dos quais a representarem, principalmente, produtos básicos, como o frango e o açúcar.

No mesmo período, o Brasil importou de Angola produtos equivalente a apenas USD 76 milhões, fundamentalmente petróleo bruto.

Na perspectiva de se aumentar e diversificar o comércio entre os dois países, chegaram a Angola domingo último cerca de 100 empresários ligados aos pequenos, médios e grandes negócios. A equipa aglutina empresários ligados o agro negócio, construção civil, indústria, energia, máquinas e equipamentos, cosméticos, material eléctrico e outros. Ontem, os empresários brasileiros procuraram identificar as possíveis áreas de negócios a desenvolver, bem como constituir parcerias com empresas angolanas, no quadro de um fórum empresarial realizado em Luanda.

Este encontro teve como foco central os sectores de alimentos, vestuário e indústria.

Parceiro importante

Durante a abertura do evento o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Miguel Jorge, disse que Angola representa um forte e importante parceiro para o investimento do seu país.

O crescimento económico que se verifica em Angola e o aumento de investidores estrangeiros constitui um barómetro para se incrementarem os negócios brasileiros em Angola, disse.

Segundo ele, para financiar os projectos brasileiros, o governo daquele país aprovou recentemente uma linha de crédito de mais de USD 500 milhões para vários sectores da área económica, com destaque para a exportação de alimentos e serviços.

Alimentos

Uma das empresas integrantes da comitiva é a Carreteiro Alimentos, que actua nesse segmento há 20 anos. A firma, especializada no processamento, beneficiação e distribuição de grãos alimentícios, pretende se instalar em Angola.

O seu representante para a África, César Augusto Maia, disse que a actividade em Angola incidirá principalmente no comércio de arroz, feijão, café, azeitonas e a transferência de tecnologia. Preconiza, também, incentivar a produção de várias culturas, como arroz, feijão, e outras, cuja implementação depende de um eventual acordo com as autoridades angolanas.

A empresa está também preparada para fornecer produtos com rastreabilidade, detalhando cada estágio do processo produtivo, desde a plantação, com a identificação do tipo de sementes utilizadas, à fertilização, pesticidas e insecticidas com as dosagens regulares.

Logo que se concretize a parceria, a Carreteiro pretende investir em Angola cerca de USD 25 milhões. Entre os seus projectos, figura a criação de um centro de distribuição e processamento de grãos com capacidade para um milhão de toneladas por ano. O projecto vai criar 200 empregos directos.

Vestuário

Carlos Scardine está ligado à firma Dom Marco, de vestuário, e pretende comercializar os seus produtos em Angola, onde, segundo afirma, pode ter muita aderência face à qualidade dos seus artigos.

Apesar de ser a primeira vez que visita Angola, pretende comercializar 30 toneladas de produtos diversos e testar o mercado para os próximos desafios.

Sem avançar valores, frisou que o produto tem qualidade. “Centenas de angolanos vão ao Brasil buscar este produto, sinal de que o mesmo é bom”, ressaltou.

A demanda vai definir se eventualmente interessa, a curto prazo, estabelecer contactos para montar uma fábrica de roupa interior de origem brasileira, frisou.

A Sindifibras, que trabalha com fibras naturais, como sisal e coco, considerada de alta qualidade por ser biodegradável, pretende também instalar uma instalação em Angola. O presidente da empresa, Wilson Andrade, disse que o produto é ecológico e tem preço competitivo com o produto sintético.

Com contactos avançados com homens de negócios em Angola, onde já vendeu o seu produto, pretende também apoiar a produção de sisal.

Além disso, vai transferir tecnologia para que Angola possa produzir sisal como até 1973 e 1974.

Logo que se verifique a produção de sisal, Angola poderá, segundo a fonte, auto abastecer-se de tapetes e fios para embalagens, a preços baixos, assim como gerar renda e emprego.

A Furlan, especializada em equipamentos para mineração, aços fundidos e peças para mineração, também integra a missão empresarial. Depois de ter feito duas vendas em 2007, considera que esta é uma soberana oportunidade para que o negócio prospere face ao elevado número de obras em curso em Angola.

O representante da firma, Fernando Toledo, disse que “Angola apresenta um mercado fértil para negócios e seguro para se investir e muito bom. Um país a crescer sempre”, sublinhou.

A Itaim Iluminação quer participar da reconstrução do país. Virada para a fabricação de material de iluminação, segundo Hugo Hanashiro, o seu material vai ter muita saída dada a sua qualidade.

Já o angolano Miguel Ganga, ligado à empresa Secofal, cujo negócio está virado para os cosméticos, pretende encontrar um parceiro ideal para desenvolver o seu negócio.

Segundo afirma, ele deixaria de fazer contenções de gastos, tendo um fornecedor directo.