Os comerciantes nos mercados paralelos e estabelecimentos comerciais de médio e grande porte, sediados na província do Bié estão a encontrar imensas dificuldades nas suas transacções comerciais na hora de obtenção de trocos, principalmente nos dias que correm. Segundo constatou a reportagem do JE, a realidade que se vive nos vários estabelecimentos comerciais existentes no município do Cuito é de extremo embaraço, facto que está a preocupar os comerciantes das demais localidades.
Por exemplo, nas cantinas, alfaiatarias, lojas, reprografias e até nos mercados paralelos, são visíveis as dificuldades existentes entre compradores e vendedores principalmente no momento da compra do bem e na recepção do troco.
Mário Januário de 30 anos de idade, proprietário de uma reprografia, adjacente ao largo das escolas, no Cuito, a nossa reportagem que “os estudantes do ensino superior, médio e alguns do I ciclo de ensino que estão na 8ª e 9ª classe, são os que mais frequentam a reprografia na hora de elaboração de trabalhos escolares”, esclareceu.
O proprietário da reprografia acrescenta que, nos últimos meses têm encontrado enormes dificuldades em devolver os trocos aos clientes, porque reduziu consideravelmente o número de moedas de menor valor facial nos mercados do Cuito”, explicou.
Aliás, a reportagem do JE, verificou por outro lado que, as notas de menor valor facial, sobretudo as de 50 e 100 kwanzas, são as mais difíceis de se encontrar em vários estabelecimentos comerciais na província do Bié.
Por isso, para constatar “in loco” a equipa do JE se deslocou ao maior mercado paralelo do Chissindo, no Cuito, e interpelou algumas vendedoras.
Por exemplo, Maria da Conceição, de 33 anos de idade vendedora de legumes afirmou que durante os dias tem encontrado muitas dificuldades em adquirir trocos.
Por isso a comerciante, salientou que, “para encontrar trocos para dar aos clientes é preciso muita criatividade de negociação, senão ficámos com o produto todo o dia por falta de trocos. Uma dessas criatividades é quando muitas vezes o cliente compra os produtos em várias bancadas. Aí as vendedoras repartem entre si o dinheiro, tirando cada uma o valor que lhe cabe”, sublinhou.
Já José de Carvalho, de 20 anos de idade, que vende material de higiene, disse que “vender produtos de higiene é bastante lucrativo, mas por ser barato há problemas na devolução dos trocos aos clientes. O preço dos produtos de higiene, como papel higiénico, guardanapos e outros, custam cem kwanzas e, os clientes aparecem com notas maiores o que dificulta as operações de troco na hora das compras”, sublinhou.
Entretanto, com vista a se contornar a situação, comerciantes e compradores apelam as autoridades de direito, sobretudo o Banco Nacional de Angola (BNA), como entidade emissora, no sentido de emitir mais moedas com menor valor facial para facilitar as operações de troco.