A Agência Nacional da Região do Okavango (ANAGERO) pretende captar a curto prazo, através do turismo, mais de 50 milhões de dólares.
Em declarações ao JE, o coordenador da Comissão de gestão da Anagero, Vladimir Russo, acrescentou que este investimento será captado com as receitas provenientes dos investidores nacionais e estrangeiros que poderão aplicar os seus recursos a nível do projecto que compreende a província do Cuando Cubango.
A instituição terá também como objectivo, a protecção, preservação das componentes ambientais da região e exploração racional dos recursos, tendo em conta os valores social, económico, cultural, científico e paisagístico existentes na região.
Transformar o sector do turismo angolano em potencial angariador de activo para o Orçamento Geral do Estado, a atracção de turistas e investidores de reconhecido valor, constitui também um dos desafios que a Agência Nacional da Região do Okavango pretende alcançar.
O também ambientalista, alerta para a necessidade do aproveitamento do potencial turístico e ambiental que apresenta a região do Okavango, que passa por uma gestão racional dos investidores.

Plano director
A comissão criada recentemente pelo Executivo trabalha para a criação de condições materiais e técnicas para a sua instalação, bem como o Plano Director Intermunicipal entre os municípios do Cuito Cuanavale, Nancova, Mavinga, Dirico e Rivungo, na província do Cuando Cubango que serão os pontos de actuação, além do seu orçamento estimado em 300 milhões de kwanzas.
Segundo a fonte, adianta que com a criação da agência para a área do turismo, pretende-se não só atrair investimento, mas como também a protecção ambiental, que pode ser desenvolvida para outras áreas, como por exemplo, da agricultura, pesca artesanal, indústria, exploração de madeira.
“O objectivo é ter uma Agência que sirva de ponto de entrada para atracção de investimento que terá como maior incidência o turismo assim como a preservação ambiental”, destacou.
Acrescentou que a província do Cuando Cubango que tem nove municípios na sua totalidade, numa primeira fase, apenas sete serão abrangidos.
A agência pretende encorajar para que haja um ponto de investimento, que seja de acordo com as necessidades e as prioridades da área, vai fazer com que recursos para o sector não entrem de forma dispersa para outras actividades.
Por outro lado, disse, o que se quer fazer é que haja um envolvimento para o turismo o reconhecimento do papel das comunidades locais, isto é, que não seja um projecto apenas para retirar recursos mas para investir no desenvolvimento da comunidade.
Segundo a fonte, a forma como está a ser estruturado o projecto vai permitir que as comunidades locais possam beneficiar no processo de tomada de decisão, na definição das prioridades, e implementação do projecto a nível do terreno.
O especialista Vladimir Russo sustenta a sua tese em casos semelhantes existem em países africanos que têm implementado o turismo sustentável ou o ecoturismo, como é o caso de Moçambique e Uganda, onde se tem alcançado um “sucesso é inegável”.

Promoção das potencialidades
Para o sucesso do projecto, a Comissão de gestão da Anagero pretende realizar uma conferência de doadores em 2019, com o propósito de atrair investidores nos segmentos do turismo, biodiversidade, conservação e gestão do ecossistema, que contará com a participação da África do Sul, Botswana, Namíbia e norte-americanos.
“Há interesse de alguns países europeus na gestão de recursos hídricos, biodiversidade entre outros”, informou, depois de acrescentar que são aguardados para o evento vários países e agências internacionais do sector do turismo disponíveis.