Passou de vilão a herói. Ernesto Chongolola “Ti-Chó”, 43 anos, está na ribalta do negócio. Começou a ganhar dinheiro como ardina( venda de jornais). Hoje é proprietário de móveis e imóveis. Diz que financeiramente está realizado.
 São as voltas que a vida dá! Como cantou o músico Brasileiro Marcos Viana. Afinal, o sinal para prosperar foi dado à nascença. Chongolola que em língua nacional Umbundu significa juntar, diz que a sua infância foi sofrível por falta de recursos da família.
Sem receio, surpreende-nos que a sua inserção no negócio começou como ardina em Luanda. Tinha na altura 15 anos, vindo de Benguela
sua terra natal.
Sentado numa pequena cadeira de plástico, ao lado de dois autocarros de cor branca carregados de passageiros rumo ao Planalto Central, o homem com mais de dois metros de altura e robustez invejável está ladeado de colaboradores no parque de Viana, onde todos os dias, dezenas de carros fazem o embarque e desembarque de passageiros.
O porte físico chama atenção! Se calhar terá sido o motivo da sua incorporação nas forças de ordem interna. Numa missão, é atingindo num dos membros superiores. O sinal está ali, o “colosso” coxeia quando marca um passo.
No regresso à vida civil, recomeça como motorista de uma empresa de transporte público. A empresa faliu e foi indemnizado com kz 100 mil. Este dinheiro, segundo conta, foi a ponta do “iceberg” dos meios de que dispõe hoje.
Com o dinheiro juntou algumas reservas e comprou uma viatura que foi o “sacudir da poeira”, uma após outras e foi  somando. A frota de autocarros, viaturas ligeiras, motorizadas que não enumerou fazem parte do seu património.
Ti-Chó é referência em Viana. Emprega 300 jovens e faz parte da lista das pessoas conhecidas no município. Não revela o valor dos seus activos.
Proprietário de uma empresa de transportes públicos inter-urbano, denominada “Ti-Chó”, vai implementar dentro de curto tempo um projecto que visa, patrocinar uma formação de condutores de moto-taxistas, calculados em 500, todos desprovidos de meios financeiros.
No município de Viana, o homem é conhecido pela ajuda que dá aos kuduristas, para gravar discos.
“Continuo a patrocinar músicos. É uma área que também gosto de actuar. Os kuduristas na sua maioria não têm dinheiro. Nós que temos um pouco temos de ajudá-los”, conta com ar feliz por tal gesto.
No programa social do empresário consta o estabelecimento de uma parceria com o Ministério da Saúde, para criar um banco de sangue e acudir milhares de angolanos que precisam desta ajuda.
“Eu sinto e deixa-me muito triste ver muita gente a morrer por falta de sangue nos hospitais. Também tenho de fazer alguma coisa”, disse.
Pai de um número elevado de filhos, diz estar a trabalhar para que eles tenham uma vida diferente.
“Eu não tive berço, mas os meus filhos já tiveram. Têm de ter uma formação e ajudarem também o próximo”, conclui.