A fazendeira angolana Maria de Fátima Mendes Jorge defendeu esta semana, em Luanda, a criação urgente de uma, a nível do país, para que se dê um melhor aproveitamento aos produtos originários de fazendas nacionais.

Em entrevista à Angop, para balancear a participação da fazenda Aurora no primeiro salão internacional da agricultura, pecuária, alimentação e florestas de Angola, a responsável disse serem elevadas as perdas por falta de união entre os produtores.

Maria de Fátima Mendes Jorge afirmou que neste momento é muito leite e outros tantos produtos que se perdem, de igual modo por falta de escoamento ou venda, acrescentando que esta situação só acontece porque os potenciais clientes desconhecem a existência de certas fazendas.

Neste contexto, apelou aos fazendeiros, em particular aos produtores de leite, no sentido de divulgarem os seus serviços e produtos.
“Eu sou de opinião que a gente deveria criar uma associação de produtores de leite, porque as pessoas estão a trabalhar de forma individual, pois acredito que se estivermos unidos, haverá maior organização no mercado e conseguiremos mostrar aos consumidores o que nós estamos a fazer”, referiu.

Face às constatações feitas durante o primeiro salão internacional da agricultura, pecuária, alimentação e florestas de Angola, a representante da fazenda Aurora concluiu que o país ainda tem muito para dar e que dentro de pouco tempo as famílias só viverão da agricultura.

Acrescentou que o país tem muito produto nacional de boa qualidade, motivo pelo qual exortou os cidadãos angolanos a consumirem o “made in Angola”, visto que internamente está a se produzir já a sério.

“Eu não tinha noção do potencial do país, mas depois do que vi na feira conclui que Angola tem muito para dar ao seu povo em termos de produtos agro-pecuários e alimentares”, reportou a interlocutora, apelando igualmente aos empresários a pararem com a importação de lacticínios.

Na ocasião, a responsável informou que a fazenda Aurora está voltada à produção de iogurte, leite pasteurizado e queijos frescos, produzindo, diariamente, em média, cinco mil litros de leite, salientando que os mesmos são produanostos naturais, sem conservantes (com 21 dias úteis de vida).

“Nós trabalhamos com leite extraído no nosso próprio gado e que é produzido na nossa própria fazenda. A alimentação também é produzida localmente. Não produzimos leite transformado, simplesmente leite natural do nosso gado e das nossas ordenhas dentro da fazenda”, explicou.

Maria de Fátima Mendes Jorge adiantou que a Aurora (localizada em Catete, município do Icolo e Bengo, província de Luanda), está a crescer como empreendimento e que, em virtude de novos investimentos, vai aumentar a produção com mais gado, ampliação e modernização da fábrica dentro de mais dois anos.

Quanto à participação na Agro-Angola/2013, considerou positiva, apesar de ser a primeira vez que expôs numa feira, e que serviu para adquirir experiência e trocar contactos para possíveis parcerias.

Sobre o salão em geral, a entrevistada enalteceu a organização, a diversidade e a qualidade dos produtos expostos, maioritariamente produzidos em Angola.

A fazenda Aurora ocupa uma área de 300 hectares e possui cinco ordenhas para mais de mil cabeças de gado. Tem campos de produção de milho, soja e banana. Dentro de mais alguns meses começará a produzir gelados e, de sensivelmente dois anos, manteiga.

Vencedores
A empresa Sodepac venceu o “grande prémio agro Angola 2013”, no quadro do primeiro salão internacional da agricultura, pecuária, alimentação e florestas de Angola.

A referida empresa bateu na concorrência a Gesterra e a província do Kwanza-Sul, numa noite abrilhantada pela banda Impactus 4 (liderada pela cantora Yola Semedo) e pelo intérprete Gerson Castro.

Durante a gala de premiação, esteve igualmente em destaque a BrasÁfrica, que se notabilizou na categoria “melhor participação pecuária”, ao suplantar a cooperativa dos criadores de gestão de gado do Sul de Angola e associação dos avicultores.

A Gesterra teve a “melhor participação indústria transformadora”, superando a Lactiangol e a Sojomar.
Quanto a “Melhor participação de serviços para o sector”, a Frescangol – logística e armazenagem distinguiu-se da fertiangola – fertilizantes e a agromundo – fertilizantes.

A “melhor participação produção nacional” coube à Nova Agrolider, da província do Bengo, que se evidenciou perante a Agricultiva, Terra Verde e a Sagrbengo (também Bengo). Já a Aldeia Nova notabilizou-se na classe de “melhor participação fazendas”, ultrapassando a Pérola do Kikuxi e a Fazenda Aurora.

A “melhor participação máquinas e equipamentos” foi da firma Multiauto, batendo na corrida a Lonagro, a Oxodril, Ferpinta e Campotec. Na mesma senda a província do Kwanza-Sul teve a “melhor participação provincial”, ofuscando a do Bengo.
Portugal (um dos seis países participantes) foi distinguido com o prémio de “melhor participação internacional”, em função do desempenho da empresa local - Harker. Na concorrência superou a Argentina, que dependia de uma prestação superior da sua representante, a Tecnoland.

Co-organizada pelo Ministério da Agricultura e a Feira Internacional de Luanda (FIL), o primeiro salão internacional da agricultura, pecuária, alimentação e florestas de Angola, que encerrou (domingo), decorrem sob o lema “Por uma agricultura competitiva, incentivemos o agro-negócio” e contou com a participação de cerca de cem expositores de seis países.