A actividade de corte e costura na cidade do Huambo, que está expandida nos principais mercados e residências, tem permitido a muitos jovens, por iniciativa própria, contornar o desemprego, garantindo, o sustento das famílias. O trabalho consiste na confecção de roupas por encomenda, ajustes de peças novas e usadas. Se ontem a profissão era encarada como, para velhos, hoje a realidade é bem diferente. Muitos são os jovens, na faixa etária entre os 20 e 35 anos, que abraçavam a arte, mas que antes sentiam, como dizem, vergonha, porque não era rentável. Mas a escassez de empregos, fez com que muitos deles, conforme afirmaram à reportagem do JE, deixarem o orgulho de lado e são, agora, os alfaiates espalhados por diversos cantos da cidade do Huambo. Os mercados da Quissala, vulgo “Alemanha”, Kapango, no bairro São Luís, Cambiote, Cacilhas, Santo António, Calombrigo, Calomanda, Himalaia e Olomilû, na Cidade Baixa, são os pontos estratégicos onde núcleos de pequenos jovens exercem esta actividade, em busca de rendimento para o sustento familiar.

Há 60 anos de fita métrica
Artur Pompeu, de 73 anos, é alfaiate de profissão desde 1959. Já abraçou, ao longo desses anos, todas as profissões possíveis para contornar o desemprego, numa altura em que os alfaiates foram perdendo o mercado, em função da invasão das roupas prontas-a-vestir. Mas não conseguiu. Aguentou as quedas e manteve firme no amor
à profissão da sua vida.
O ancião, com uma alfaiataria localizada no bairro do São João, arredores da cidade do Huambo, afirma, a título de exemplo, que ser alfaiate, sapateiro, carpinteiro e pedreiro não deve envergonhar ninguém, embora reconheça que são ofícios pouco rentáveis. “É errado pensar que estas profissões, antes esquecidas, só podem ser exercidas por velhos”.
Orgulha-se pela profissão que exerce, afirmando que apesar de ser um serviço de pouco rendimento, conseguiu custear a formação dos filhos, além de outras preocupações que necessitam valores monetários,
as consultas médicas.
Osvaldo Benedito Tchitangueleka e José António, mais conhecidos por “ Zigo”, são ambos responsáveis de uma alfaiataria na praça do bairro da Calomanda. Começaram na profissão em 2003, numa altura que não encontravam alternativa
para conseguirem emprego.
Valeu, dizem, a aposta na profissão e até já criaram novos postos de trabalho. O sonho agora passa em constituir uma lavandaria, mas tudo esbarra na falta de financiamento para se alcançar este objectivo
de expansão do negócio.
A adquirir as máquinas, agulhas, linhas de costura e outros materiais, é, afirmam os jovens, um “quebra-cabeças”, pelo que o mercado da Quissala, vulgo “Alemanha”, continua a ser a única alternativas por ser possível encontrar
alguns preços razoáveis.
José Paulino Hilário, 56 anos de idade, à semelhança do ancião Artur Pompeu, é um profissional ligado à uma actividade que tem a ver com o traje das pessoas: sapateiro, desde os seus 12 anos. O sucesso do seu trabalho, está interligado com as dos alfaiates, por isso “estou orgulhoso de estar a contribuir para que as pessoas pareçam bem v
estidas” na sociedade.

Preço dos serviços
Os preços variam de acordo a encomenda. A costura de um vestido ou fato por exemplo, varia entre os 12 e dezassete mil kwanzas, levando dois a 4 dias, o máximo, para a sua confecção. Mas, algumas vezes, é pronta em menos tempo, dependendo da urgência do cliente, disponíveis a pagar no momento, se tiver um evento. Os famosos trajes africanos, de ambos sexos, são os estilos mais solicitados.
Rosalina Nakatchapi, que sempre solicita os serviços dos alfaiates, disse que pagou 1.500 kwanzas para consertar cinco peças de roupa. Apesar das falhas que se regista, reconhece alguma eficiência no serviço
destes profissionais.