O Governo angolano anunciou recentemente que para 2018, o Estado não vai realizar concursos públicos além dos sectores da educação e saúde. A propósito o Jornal de Economia & Finaças contactou os empresários para compreender a capacidade do sector privado em absorver a mão-de-obra.

O empresário angolano Bartolomeu Dias afirmou que o actual contexto económico vai dificultar igualmente os empresários angolanos em criar postos de trabalho para absorver a mão-de-obra a nível nacional.
Para o empresário, 100 dias depois da tomada de posse do novo Governo e os respectivos membros, o país ainda não viu nenhum plano convincente para se ultrapassar a crise económica que assola o país desde a descida do preço do barril do petróleo no mercado internacional. O que significa no seu dizer que a criação de postos de trabalho não será tão fácil como se espera.
Questionado sobre a última medida do Banco Nacional de Angola que introduziu recentemente “a taxa flutuante” para facilitar a obtenção das divisas no mercado formal,Bartolomeu Dias, disse que a política de taxa flutuante, ao invés de ajudar a economia nacional, está a retirar o poder de compra das famílias. E retirando o poder de compra, as empresas não têm como escoar a produção. Na ausência disso, as empresas são obrigadas a dispensar os trabalhadores ao invés de empregar.
Quanto à credibilidade dos empresários angolanos no mercado internacional, o empresário afirmou que é um dado em construção, pois cada um do seu jeito vai construindo a sua carteira de negócios e parcerias que vão se traduzir na sua credibilidade no mercado internacional.
Já o Administrador Executivo do Grupo “Opaia”, Evaristo Praia, para 2018 o sector privado não vai criar postos de trabalho, dada a inflação que quebrou o poder de compra das famílias, aliada à ausência de divisas para importar matéria- prima e gerar negócios.
Quanto à cotação dos empresários angolanos no mercado internacional, o administrador do Grupo “Opaia” Evaristo Praia entende que continua baixa, pois o volume de investimento dos angolanos no estrangeiro é muito baixo. “Precisamos trabalhar mais para ganhar credibilidade no mercado internacional e granjear parcerias internacionais ”, disse.
Segundo o administrador, o grupo Opaia conta com aproximadamente 500 empregos directos e perto de mil indirectos. E o seu cor business está voltado sobretudo para a agricultura, construção civil e hotelaria.
Por sua vez, o despachante oficial António Madaleno disse que o actual contexto não vai permitir aos empresários aumentar o número de empregados, pois a situação está cada vez mais difícil.
Dos 60 trabalhadores até finais de 2016, o empresário viu-se obrigado a ficar com apenas 30 que estão a sobreviver com as reservas do empresário ao invés dos lucros resultantes dos negócios. Apesar das dificuldades, o empresário mostrou-se optimista a julgar pelos últimos indicadores do preço do baril de petróleo no mercado internacional.