Adérito Veloso

Nas ruas e alguns mercados da província de Luanda têm crescido nos últimos tempos os pequenos negócios. A venda de inertes (areia, burgau e pedra para a construção civil) é um exemplo vivo desta prática, que têm aglutinado e proporcionado vários empregos a pessoas que se encontram no mercado informal.

Segundo apurou a reportagem do JE junto das vendedoras de inertes, localizadas ao longo da estrada do Futungo de Belas, município da Samba, o negócio não é muito rentável, já que ele depende, em grande medida, das obras que estiverem a ser executadas num determinado perímetro.

Ao longo das principais avenidas da província de Luanda, são notórias as placas que sinalizam a existência da venda nestes locais de inertes. Os principais clientes são os pequenos e médios construtores de obras (autoconstrução), que, dada a dimensão e o custo das mesmas, aproveitam comprar nesses locais.

A venda de inertes, que é exercida por vários cidadãos, tem proporcionado vários postos de trabalho, bem como sustenta inúmeras famílias que, através desta actividade, conseguem ultrapassar as dificuldades que a vida impõe.

Pedra vendida a montes

Maria Luís, 42 anos, mãe de cinco filhos, vende pedras há já seis anos naquela localidade. Diz ser conhecedora dos meandros do negócio, e sustenta que a sua actividade comercial exige muita perseverança e astúcia.

“Este negócio de pedras não rende nada. Estamos só aqui para remediar para que os filhos não passem a fome”, disse.

A vendedora revelou que leva dois a três meses para vender a retalho uma carrada 16 metros cúbicos. “Nós compramos um caminhão de 16 metros cúbicos a USD1.500 e depois das vendas, o meu lucro pode chegar os Kz 10 mil ou 20. Vendo as pedras por monte. Cada custa Kz 4 mil”, informou.

Deste negócio sai o sustenta da minha família. As propinas para a escola, o dinheiro para a comprar a comida, a compra de medicamentos, tudo sai daqui”, disse. “ Nós somos a linha de coser e os nossos maridos são agulha”, ironizou antes de sublinhar que pretende deixar o negócio e partir para um outro desafio, de preferência a venda de fardo (roupa usada) num dos mercados da capital angolana.

Apesar de não ter algo que a identifique legalmente como sendo uma vendedora de inertes, Maria Luís ressaltou que tem pago taxa ao Estado.

“Os fiscais têm passado por cá e nos cobram taxas. Nós pagamos Kz 200 ou 300. Mas eles não nos dão nenhum documento que comprava”, alertou.

Clientes

O negócio de inertes tem como principais clientes as empresas de construção civil, bem como pessoas singulares ligadas às obras de construção.

“Os meses de Outubro e Novembro são os que mais rendem e, consequentemente, aqueles em conseguimos ter algum lucro, já que o negócio é feito de forma acelerada”, notou.

Maria Luís destacou, por outro lado, que a actividade de venda de pedras a torna nómada, dada as características do negócio.

“Nós temos de vender lá onde existem várias obras. Por exemplo, num local onde estiverem a construir condomínios, ali temos os potenciais compradores. Aproveitamos ao máximo e por vezes vendemos muito bem. Estou há 6 anos, mas até agora não tenho um lugar fixo de vender pedra”, informou.

Leia mais sobre o assunto no Jornal de Economia & Finanças desta semana, já nas ruas.