O director geral da Net One, Jaime Ferreira, disse em entrevista ao JE que no ano passado o volume de negócios da empresa rondou os 30 por cento face ao ano anterior e pensa manter o nível de crescimento este ano. Assegurou ainda que a maior parte dos seus trabalhadores é composto por quadros nacionais. Confirmou ainda que o plano estratégico passa por reforçar a presença da empresa em todo o país, levando o serviço de banda larga aos interessados.

Quais as perspectivas da Net One para o mercado angolano?
A Net One acredita muito no potencial de crescimento de mercado angolano ao nível do desenvolvimento de penetração de internet. Está provado em vários estudos internacionais que o desenvolvimento de um país tem relação directa com o acesso da população à internet. As nossas perspectivas são optimistas, de crescimento em números de utilizadores, de facturação e, considerando o nosso investimento actual, também de melhoria dos serviços e experimentação dos nossos clientes.

Os resultados até aqui obtidos satisfazem a vossa visão inicial do negócio?
Os resultados obtidos estão em linha com a nossa visão inicial do negócio e estamos a trabalhar no sentido de conseguir muito mais para o mercado angolano. Queremos essencialmente contribuir para o desenvolvimento social e económico de Angola, tanto através de uma oferta de serviços de internet acessível e variada, que chegue a todos os angolanos, como através da criação de postos de trabalho e geração de novos talentos.

Considera Angola um mercado tecnológico?
Angola é um mercado emergente com clara deriva tecnológica. Acredito que o mercado terá um crescimento acentuado nos próximos anos, das tecnologias de informação, nomeadamente na utilização de internet. Este pressuposto assenta no facto da existência de investimentos contínuos realizados pelas várias empresas do sector das Telecomunicações.

Que soluções inovadoras dispõem para o mercado?
Comprometida a contribuir para o desenvolvimento de Angola, a Net One lançou no início de 2015, o seu serviço de internet de quarta geração (4G). Actualmente, os serviços Net One assentam em duas tecnologias distintas: o WiMAX, cujo principal benefício é a oferta de ligação de Internet de banda larga em regiões onde não existe infra-estrutura de cabo (cobre ou fibra óptica), e o VSAT banda KA, um serviço inovador de transmissão de dados via satélite, que permite atingir velocidades até 15 Mbps, a preços muito competitivos, vindo complementar a oferta Net One em zonas onde a rede WiMAX ainda não está presente.

É possível falarmos da Net One em Angola, mas fora de Luanda?
A Net One cobre, actualmente, 13 províncias do território nacional, através dos serviços de acesso à internet WiMAX e via satélite YahClick. O nosso plano estratégico passa por reforçar a nossa presença em todo o país, levando os serviços de banda larga a muitas populações hoje mal servidas neste domínio. Naturalmente que este esforço tem de ser modelado por racionalidade económica atendendo aos custos de infraestruturas, transmissão, etc.

E pelo mercado africano?
Não está previsto o investimento fora de Angola a médio prazo.

Há bons indicadores de crescimento dos negócios?
Em termos de volume de negócio, a Net One apresentou em 2014, um crescimento de 30 por cento face ao ano anterior, o que nos indica que em 2015 teremos um crescimento semelhante.

Aos quadros e profissionais nacionais que valor acrescentado o vosso negócio oferece?
Na Net One, mais de 90 por cento dos quadros são formados por profissionais nacionais. A Net One oferece a oportunidade de integrar uma equipa jovem, onde pode aprender tudo a cerca das novas tecnologias de internet, tanto através dos quadros mais experientes, como através de formação que disponibiliza, sobretudo nas áreas tecnológicas.

Sendo as TIC o futuro, o que precisa de ser feito pra o “boom tecnológico”?
Uma sugestão de medida por parte do regulador, inovadora e interessante, seria reduzir a taxa aduanaria de todos os equipamentos tecnológicos (dado ser improvável o seu fabrico em Angola) de forma a que a aquisição fosse mais facilitada a toda a segmentação da população. Quanto mais pessoas forem “tecnologicamente” letradas, mais perto estaremos de um “boom” tecnológico.

No longo prazo, onde pretenderia ver a Net One Angola?
A nossa visão é ser o melhor operador de internet de banda larga de Angola. É claramente nessa direcção que nos movemos a longo prazo.

Um dos produtos já disponíveis no mercado da telefonia é o Fone Kuya. Fale-nos um pouco deste dispositivo.
O Fone Kuya funciona em conjunto com o serviço de Internet Net One e conta com a cobertura desta rede. Permite também fazer chamadas nacionais e internacionais, sendo orientado para o uso individual, residencial e empresarial. A marca que existe há cerca de quatro anos introduz novo conceito no mercado de comunicações em Angola, ao comercializar serviço Fone kuya como solução agregada residencial e empreendedor ( internet + voz + fax + wifi ), o qual designamos por Box NetOne. O serviço Fone kuya tem como principais vantagens a simplicidade de adesão e utilização para o uso do serviço onde não é preciso instalar qualquer cabo.

Que outros serviços estão agregados para criar facilidades aos clientes?
A disponibilidade das recargas nos serviços de Multicaixa foi exactamente pensando na criação de facilidades e maior comodidade aos clientes. Os planos net dado, mensal e voz estão disponíveis electronicamente nas diferentes unidades de recarga. Contudo, vale referenciar que os nossos agentes estão espalhados pelas provincias, municípios e distritos, para responder a crescente procura pelos serviços.